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STF foca em risco de fuga de Bolsonaro por precedentes, dizem especialistas

Ex-presidente passará por audiência de custódia neste domingo (22) após preventiva decretada por Moraes diante de indícios de tentativa de sair do país

Por Redação
REDAÇÃO

22/11/2025 • 17:34 • Atualizado em 22/11/2025 • 17:34

Bolsonaro em prisão domiciliar em Brasília

Bolsonaro em prisão domiciliar em Brasília

Adriano Machado/Reuters

O ex-presidente Jair Bolsonaro passará por audiência de custódia neste domingo (23), um dia depois de ter a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por risco de fuga. A avaliação judicial ocorre na sede da Polícia Federal, em Brasília, e integra o procedimento legal para verificar as circunstâncias da prisão e eventuais irregularidades.

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A decisão de Moraes foi motivada por indícios apresentados pela PF de violação da tornozeleira eletrônica e pela possibilidade de deslocamento do ex-presidente para representações diplomáticas.

O professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense, Gustavo Sampaio, explica que o decreto da prisão tem natureza cautelar e resulta de um conjunto de fatos analisados pelo Supremo. Segundo ele, a tentativa de violação do monitoramento eletrônico, somada a outros elementos, foi o que levou Moraes a converter a prisão domiciliar em preventiva.

Contexto e precedentes pesaram na decisão do STF

Para o professor Sampaio, episódios recentes de fuga de investigados no mesmo contexto contribuíram para o entendimento do STF de que havia risco concreto de evasão, relembrando o caso do deputado federal Alexandre Ramagem, condenado na ação penal referente ao núcleo estratégico da trama golpista e que, segundo o processo, deixou o país após a decisão judicial. O especialista ainda relembrou o caso da deputada federal Carla Zambelli, condenada em outra ação penal correlata, que viajou para a Itália, contrariando medidas impostas.

“Esse conserto de fatos gerou muita preocupação ao Supremo”, afirma Gustavo Sampaio.

Especialistas divergem sobre fundamentos e desdobramentos

O cientista político e colunista da BandNews FM, Fernando Schuler, avalia que a menção à vigília de apoiadores como atividade criminosa no pedido de prisão preventiva pode ser questionada. Segundo ele, é necessário identificar “em que momento uma vigília de orações é considerada ilegal ou criminosa pela legislação brasileira”.

Já a professora de Direito Constitucional Virginia Machado aponta que a prisão preventiva de Bolsonaro pode se estender até a eventual consolidação da condenação. “Definitivamente ele não está cumprindo pena ainda. Pode acontecer, no campo das hipóteses, de a preventiva se prolongar até o trânsito em julgado”, afirma.

Na próxima segunda-feira (24), a Primeira Turma do STF realiza uma sessão virtual para decidir se mantém a prisão preventiva de Bolsonaro.

O advogado criminalista e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Davi Tangerino, considera improvável que a Turma reverta a decisão de Moraes. “Estatisticamente é improvável que haja discordância”, avalia. Ele destaca ainda que a tentativa de fuga apontada pela PF enfraquece a estratégia da defesa de pedir que eventual pena seja cumprida em regime domiciliar.

Segundo Tangerino, o histórico de mobilização de apoiadores do ex-presidente também pesa na análise de risco. “Haveria temor de uma aglomeração volumosa e prolongada, com possibilidade de riscos para o cumprimento de ordens judiciais”, explica. Por isso, audiência de custódia não deve resultar em liberdade.

O professor ressalta ainda que, após a audiência de custódia, Bolsonaro poderá eventualmente retornar à prisão domiciliar, caso haja laudo médico que indique riscos à saúde durante a permanência na custódia da Polícia Federal. “A depender do estado de saúde, ele poderá ter a prisão convertida novamente para o regime domiciliar. Isso vai depender do órgão de execução da pena, que é por ora o próprio STF”, explica.

O advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo também avalia que Bolsonaro não deve ser liberado na audiência deste domingo (23). Para ele, trata-se de um procedimento formal obrigatório, mas sem impacto sobre a decisão de Moraes.

“É uma exigência legal para verificar as circunstâncias da prisão, mas, no caso dele, isso já está superado pela ordem de preventiva. Não acredito que vá ser liberado”, conclui.