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Tarcísio e Haddad travam debate tenso sobre privatizações em São Paulo

Candidatos ao governo estadual divergiram sobre concessão de escolas públicas, venda da Sabesp e cobrança do sistema "free flow"

Por Redação
REDAÇÃO

10/08/2026 • 03:03 • Atualizado em 10/08/2026 • 03:03

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad durante o debate ao governo de SP

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad durante o debate ao governo de SP

Renato Pizzutto/Band

Resumo

O debate entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) abordou as propostas para o governo paulista em 2026, com foco nas concessões e privatizações de serviços públicos, especialmente na educação, saneamento e transportes.

A disputa concentrou-se nas Parcerias Público-Privadas para escolas, na desestatização da Sabesp, nas falhas dos trens privatizados e na implantação do pedágio "free flow", com Haddad criticando as privatizações e Tarcísio defendendo os benefícios, investimentos e ajustes técnicos dos projetos.

O futuro das concessões estaduais dependerá do resultado eleitoral, com Haddad prometendo revisão de contratos e Tarcísio planejando continuidade e expansão das concessões, incluindo novos pórticos de pedágio eletrônico até 2030.

Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) debateram de forma direta, no domingo (9), nos estúdios da Band em São Paulo, o futuro das concessões e privatizações de serviços públicos no estado, visando apresentar suas propostas para o governo paulista nas eleições de 2026.

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O embate concentrou-se no modelo de Parcerias Público-Privadas (PPPs) para escolas públicas, na desestatização da Sabesp e no pedágio "free flow".

Embate sobre parcerias na educação

Tarcísio de Freitas defendeu vigorosamente as concessões escolares, argumentando que a contratação de consórcios privados visa melhorar a infraestrutura, a zeladoria e o fornecimento de mobiliário — inclusive adquiridos da Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap), produzidos por detentos do sistema prisional. Segundo o governador, as unidades em Aguaí, São José dos Campos e Atibaia contarão com refeitórios com chef de cozinha e espaços multiuso, garantindo que "nossa equipe escolar vai ter uma preocupação: ensinar".

Fernando Haddad criticou o modelo e apontou o que chamou de "onda privatista" que tomou conta do estado. Ele rotulou a postura do adversário como a de um "concurseiro de decoreba" por citar nomes de bairros paulistas, como Vila São Francisco em Poá e Santa Inês em Caieiras, para tentar intimidá-lo.

Haddad relembrou que, em sua gestão no Governo Federal e na capital, entregou cerca de 60 institutos federais e participou da idealização dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), enfatizando que "nenhum deles é privado, é tudo público, custeado pelo público".

Cobranças sobre Sabesp, trens e pedágios

O clima esquentou quando Haddad exigiu de Tarcísio uma avaliação crítica sobre o processo de privatização da Sabesp, afirmando que a empresa de saneamento foi vendida 20% abaixo do seu valor real e para um único concorrente. O ex-prefeito também criticou as constantes falhas nas linhas privatizadas de trens da CPTM, citando explosões de composições ferroviárias, e questionou o governador sobre mortes ocorridas em obras da companhia hídrica.

Tarcísio rebateu as críticas afirmando que a tarifa atual da Sabesp é 15% menor do que o valor projetado caso a estatal não tivesse sido privatizada, garantindo que o modelo assegura a universalização do saneamento básico e a segurança hídrica. Ele também defendeu as concessões ferroviárias como fundamentais para sanar problemas históricos e anunciou investimentos de R$ 14 bilhões no setor de transportes.

Outro ponto polêmico levantado no debate foi o sistema de pedágios eletrônicos "free flow". Haddad acusou a gestão estadual de implantar a cobrança de forma atabalhoada e eleitoreira, citando o adiamento das tarifas em oito rodovias para janeiro de 2027 como uma manobra para evitar desgastes nas urnas. Tarcísio justificou o adiamento como um ajuste contratual técnico para aprimorar a experiência dos usuários paulistas.

Próximos rumos das concessões estaduais

O futuro dos serviços concedidos à iniciativa privada em São Paulo dependerá do resultado do pleito, com duas visões opostas para os próximos anos. Fernando Haddad declarou que, caso seja eleito, revisará integralmente os contratos de concessão vigentes no transporte sobre trilhos e nos pedágios, prometendo que será "obrigado a rever os contratos linha por linha" para corrigir possíveis distorções.

Por outro lado, Tarcísio de Freitas planeja dar continuidade ao cronograma de concessões, incluindo a expansão da cobrança automática "free flow" para 58 pórticos até o ano de 2030. A cobertura em tempo real e a análise detalhada dos desdobramentos eleitorais seguem na programação e no site da BandNews FM.