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“Tudo está normal, mas é uma calma muito tensa”, relata moradora de Caracas

No quarto dia depois da captura do ditador Nicolas Maduro pelos Estados Unidos, venezuelanos dizem que as milícias do governo estão obrigando a abertura do comércio local

Da redação
DA REDAÇÃO

06/01/2026 • 18:21 • Atualizado em 06/01/2026 • 18:21

Venezuelanos cruzam fronteira com Brasil

Venezuelanos cruzam fronteira com Brasil

Bruno Kelly/Reuters

Resumo

A situação em Caracas é marcada por repressão das milícias armadas do governo e clima de “calma tensa” após a captura do ditador Nicolas Maduro pelos Estados Unidos, com comerciantes sendo forçados a abrir estabelecimentos e relatos de violência nas ruas.

As Moradoras entrevistadas, identificadas por nomes fictícios por medo de retaliação, relataram episódios como tiroteios envolvendo polícia, Guarda Nacional e coletivos armados, além de confusão causada por drones sobrevoando áreas próximas ao palácio presidencial de Miraflores, confirmada pelo governo venezuelano.

População demonstra sentimentos mistos de medo, otimismo e incerteza diante da saída de Maduro, com rumores de golpe e novos ataques, enquanto a rotina começa a ser retomada gradualmente e o comércio reabre sob forte tensão.

Uma “calma tensa” e muita repressão das milícias armadas do governo para que o comércio seja reaberto. É assim que venezuelanas que vivem em Caracas, com quem a BandNews FM conversou nesta terça-feira, descrevem a situação na capital do país no quarto dia depois da captura do ditador Nicolas Maduro pelos Estados Unidos.

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Todas elas pediram para não serem identificadas por medo de retaliação e por isso usamos nomes fictícios.

Mãe de três filhos pequenos, Sandra saiu de casa pela primeira vez na segunda-feira depois do ataque americano do sábado e relatou que as ruas por onde passou ainda estavam desertas. Ela conta, no entanto, que há muitos relatos da atuação violenta dos coletivos, que são os grupos armados paralelos do regime chavista. “Estão obrigando a gente a abrir os prédios, os comércios. No centro, a polícia começou a disparar tiros por todos os lados. Supostamente, havia uns drones no ar e a polícia, o coletivo, começou a disparar. A Guarda Nacional começou a disparar. Supostamente, os drones eram deles mesmos, só que não haviam comunicado entre eles que eram deles mesmos. Foi tiro por todos os lados”, conta.

O episódio dos drones citado por Sandra foi confirmado pelo governo venezuelano na segunda à noite (5), quando a polícia atirou em drones que estavam "voando sem permissão". Segundo autoridades locais, "nenhum confronto ocorreu" e não foi confirmado que os disparos podem ter sido resultado de uma confusão entre diferentes grupos de segurança que operavam perto do palácio presidencial de Miraflores.

A professora Aline, que também vive em Caracas, se diz otimista com a saída de Maduro, apesar da tensão e das incertezas do momento: “Acreditamos que começou o final de algo. Esperamos que seja um final para o bem, mas há muitos rumores. Há muitos rumores de que a parte que ficou do governo está planejando um golpe. Outros dizem que vem um segundo ataque. Há tantos rumores que não se sabe qual é a verdade. Na teoria, as crianças começam o colégio amanhã. Para mim, não me suspenderam as atividades. Tudo está reativando, as lojas estão abrindo. As lojas, a maioria já está abrindo hoje. Tudo está normal, mas com uma calma muito tensa. Quase ninguém fala. É uma sensação estranha, difícil de explicar.” Aline e os pais estavam na capital venezuelana na noite do ataque dos Estados Unidos e ficaram assustados com o barulho dos aviões.Uma outra venezuelana, que preferiu não gravar entrevista, disse o seguinte: "eu estou com medo. Mas tento não me entregar a ele para não desesperar."

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