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União Europeia aprova acordo com Mercosul após 25 anos de negociações

Assinatura do tratado está prevista para a próxima semana, no Paraguai, mas texto ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos dois blocos para entrar em vigor.

Da redação
DA REDAÇÃO

09/01/2026 • 18:10 • Atualizado em 09/01/2026 • 18:10

União Europeia

União Europeia

Arquivo/Reuters

Resumo

O acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul foi aprovado pelo Conselho Europeu após 25 anos de negociações, superando resistência de países como França e abrindo acesso a mais de 700 milhões de consumidores.

A assinatura formal do tratado deve ocorrer no Paraguai, seguida por votação no Parlamento Europeu e ratificação nos congressos nacionais dos países do Mercosul, etapas que ainda podem enfrentar oposição significativa.

O principal objetivo do acordo é eliminar ou reduzir tarifas de importação sobre mais de 90% dos produtos, beneficiando indústrias europeias e o agronegócio sul-americano, além de permitir à Europa diversificar parceiros comerciais em meio a tensões geopolíticas.

A União Europeia (UE) deu luz verde nesta sexta-feira (9) ao histórico acordo de livre-comércio com o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A decisão, confirmada por diplomatas em Bruxelas, ocorre após 25 anos de intensas negociações e supera a forte resistência de países como a França, abrindo caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, que abrange mais de 700 milhões de consumidores.

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Com o aval do Conselho Europeu, a expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje ao Paraguai, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, para a assinatura formal do tratado no próximo sabado (17).

Apesar do avanço significativo, o acordo ainda enfrenta um longo caminho pela frente, pois precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu e, em seguida, pelos congressos nacionais de cada um dos países sul-americanos para finalmente entrar em vigor.

O principal objetivo do tratado é eliminar ou reduzir gradualmente as tarifas de importação de mais de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos. Para a indústria europeia, isso significa a remoção de altas tarifas de exportação para o Mercosul, como as que incidem sobre carros, peças e vinhos. Para o bloco sul-americano, o acordo amplia o acesso a um mercado de mais de 450 milhões de pessoas, beneficiando principalmente o agronegócio.

A aprovação ocorre em um cenário geopolítico de grande tensão, no qual a Europa busca diversificar os parceiros comerciais para reduzir a dependência de mercados como o chinês.

As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram oficialmente em 1999 e, desde então, enfrentaram uma série de obstáculos. Um acordo político chegou a ser anunciado em 2019, mas não avançou devido a novas exigências ambientais impostas pela UE e à forte resistência de alguns países-membros.

A França sempre foi a principal opositora, pressionada por agricultores, que temem a concorrência dos produtos sul-americanos, como carne e açúcar. Nesta semana, o presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a afirmar que votaria contra o acordo, considerando-o "negociado com base em fundamentos antigos". Além da França, países como Irlanda, Áustria, Polônia e Hungria também votaram contra

Com a aprovação no Conselho Europeu, o primeiro passo será a assinatura formal do acordo no Paraguai. Depois disso, o texto seguirá para o Parlamento Europeu, onde a votação é considerada o próximo grande desafio, já que um grupo de parlamentares ameaça barrar a proposta.

Se for aprovado pelos eurodeputados, o tratado ainda não entra em vigor. A etapa final é a ratificação individual nos parlamentos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Somente após a conclusão de todo esse processo, as regras do acordo começarão a valer.

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