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93 fuzis apreendidos são só 10% do arsenal do tráfico, diz secretário

Segundo Victor Santos, criminosos que atuam nos complexos da Penha e do Alemão teriam mais de mil armas de guerra

João Boueri
JOÃO BOUERI

31/10/2025 • 10:54 • Atualizado em 31/10/2025 • 10:54

Megaoperação no Rio de Janeiro

Megaoperação no Rio de Janeiro

REUTERS/Aline Massuca

Os 93 fuzis apreendidos durante a megaoperação das Polícias Civil e Militar nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, representam menos de 10% do total de armamentos nas mãos dos criminosos que dominam a região. A estimativa é do secretário de Segurança Pública do Estado, Victor Santos.

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Em entrevista à BandNews FM, o secretário afirmou acreditar que o poder de fogo das facções ultrapassa a marca de mil fuzis apenas no conjunto de favelas.

Segundo a Polícia Civil, parte do arsenal apreendido é composta por armamentos utilizados por forças armadas de países da América do Sul, como Argentina, Venezuela e Peru, além do próprio Exército Brasileiro.

O delegado Vinicius Domingos, da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos, explicou que a origem internacional das armas chamou a atenção dos investigadores. De acordo com ele, os símbolos e numerações gravados nos fuzis ajudam a rastrear tanto a rota do tráfico quanto a estrutura de poder das quadrilhas.

Os 93 fuzis apreendidos passarão por perícia. As armas em bom estado serão incorporadas ao arsenal das forças de segurança. Segundo a polícia, algumas delas traziam inscrições que remetem a grupos criminosos, como o “bonde do Panda”, ligado a uma das lideranças do Complexo do Alemão.

Outros armamentos exibiam gravações com o número 157, referência ao artigo do Código Penal que trata do crime de roubo. A marcação serviria para identificar armas pertencentes a uma quadrilha especializada nesse tipo de delito.

O delegado também destacou que a fabricação da maior parte do arsenal é europeia e de calibres 5.56 e 7.62, ambos de alto poder de letalidade. As investigações apontam que grande parte dessas armas chega ao Brasil por rotas de contrabando vindas do Paraguai.

Entre janeiro e setembro deste ano, 593 fuzis foram apreendidos no estado, o maior número desde o início da série histórica do Instituto de Segurança Pública, em 2007. Nesse mesmo período, o Rio de Janeiro foi responsável por 40% das apreensões de fuzis em todo o país, que somaram 1.471 unidades.

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