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Alta nos combustíveis no Rio não tem justificativa, diz economista

Motoristas relatam aumentos de até R$ 1 no litro em postos do estado, mesmo sem reajuste da Petrobras; especialista aponta possível elevação de margens por distribuidoras em meio às tensões no Oriente Médio

João Boueri
JOÃO BOUERI

12/03/2026 • 10:17 • Atualizado em 12/03/2026 • 10:17

Petróleo

Petróleo

Andre Ribeiro/Agência Petrobras/Agência Brasil

O aumento no preço dos combustíveis observado por motoristas no Estado do Rio de Janeiro não tem justificativa plausível, mesmo com o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A avaliação é de um economista ouvido pela reportagem da BandNews FM nesta quinta-feira (12).

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Ao longo desta semana, motoristas de várias partes do país perceberam o aumento dos preços, mesmo sem reajuste anunciado pela Petrobras. No Rio de Janeiro, consumidores observaram alta de até R$ 1 no litro do etanol e da gasolina em um posto na Praça da Bandeira, na Zona Norte da capital.

Na Rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre Rio e Sao Paulo, motoristas observaram um aumento de R$ 0,48 por litro da gasolina em um posto.

Para o economista e doutor em Ciência Política, Eric Gil Dantas, as distribuidoras de combustíveis podem estar usando o cenário mundial de guerra para aumentar os preços.

Não teria motivo para ter reajustes, muito menos reajustes desse tamanho. Parece ser um movimento de distribuidoras e de postos de aumento de margem, com a justificativa que, em algum momento, talvez eles possam ter que aumentar, ou seja, mais caro para comprar. Mas não há justificativa ainda do lado da oferta em geral.

Entre terça e quarta-feira (11), três navios cargueiros foram incendiados ao tentar passar pelo estreito de Ormuz, o que aumentou ainda mais as tensões no Oriente Médio.

Controlado pelo Irã, alvo de ataques dos Estados Unidos e Israel, o Estreio de Ormuz é a principal rota de exportação para algumas das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo, como Arábia Saudita, Irã, Catar, Emirados Árabes, Kuwait e Iraque.

Quando o espaço foi fechado após os bombardeios no Irã, especialistas já alertavam sobre a possibilidade de aumento dos preços nos postos, diante do cenário internacional de instabilidade.

Por outro lado, com o aumento das tensões e a volatilidade do preço do barril de petróleo, a Petrobras pode ter que reajustar os preços dos combustíveis nas próximas semanas, se o barril passar dos USD 100, como conta o economista Eric Gil Dantas.

"A maior importadora de combustíveis no Brasil é a Petrobras. Se ela não faz esse reajuste, mesmo essa parcela importada dos combustíveis, ele não chega enquanto nos postos, nas distribuidoras, enquanto não houver o reajuste por parte da Petrobras. Se o Brent ficar mais próximo dos 90 dólares, a Petrobras consegue segurar os preços. Passando dos 100 dólares, como aconteceu hoje, mas por poucas horas, a pressão é maior. Hoje passou dos 100 e agora tem 96. Ah, passou já para 98."

O Oriente Médio enfrenta uma grave escalada militar desde o final de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos iniciaram um ataque coordenado contra o Irã. Em resposta, o governo iraniano revidou com bombardeios ao território israelense e a bases americanas na região.

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