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Auditoria aponta falhas em contrato de R$ 67 milhões do Instituto Rio

Governo diz que laudos foram assinados por dois sócios, apesar de empresa prever 42 profissionais no serviço

João Boueri
JOÃO BOUERI

06/08/2026 • 18:16 • Atualizado em 06/08/2026 • 18:16

Instituto Rio Metrópole

Instituto Rio Metrópole

Reprodução Redes Sociais

Uma auditoria do Governo do Rio apontou possíveis irregularidades no contrato de estudo de eficiência energética firmado pelo Instituto Rio Metrópole (IRM) com a empresa Inducta Solução em Energia. O levantamento indica que os laudos das vistorias técnicas foram assinados por apenas dois profissionais, os sócios da empresa contratada, apesar da previsão de uma equipe com 42 pessoas para executar o serviço.

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Segundo dados obtidos pela BandNews FM, o Instituto Rio Metrópole já pagou R$ 61,2 milhões à Inducta, valor superior ao contrato inicial, que era de R$ 56,3 milhões. Após um termo aditivo e reajuste, o acordo passou a ter valor superior a R$ 67 milhões.

O contrato, assinado em janeiro de 2024, previa a elaboração de um estudo para otimizar a gestão das contas de energia de 9.998 unidades consumidoras. A proposta incluía a criação de um banco de dados com informações de consumo, perfil energético, demanda e histórico de faturamento.

Após a apuração, a nova gestão do Instituto Rio Metrópole e a Secretaria de Estado de Casa Civil determinaram a suspensão dos efeitos dos documentos produzidos pela empresa e proibiram o uso dos estudos em novas licitações ou contratações.

A auditoria afirma que os laudos das unidades consumidoras foram assinados por Romualdo Inácio Silveira Boaventura e Paulo Tabah de Almeida, sócios da Inducta. Para o governo, a concentração das assinaturas não é compatível com a estrutura apresentada pela empresa na proposta técnica, que previa 42 profissionais com salário médio estimado em cerca de R$ 28 mil.

O relatório também aponta que parte dos pagamentos teria sido feita por entregas consideradas básicas, como a extração de dados de contas de energia e relatórios com conclusões semelhantes sobre diferentes municípios.

O Governo do Rio informou ainda ter identificado indícios de conluio na licitação. Segundo a auditoria, as seis propostas apresentadas ficaram a menos de 1% do valor máximo previsto e três concorrentes abriram mão, em sequência, do direito de preferência.

O documento que aponta possíveis irregularidades e superfaturamento foi encaminhado ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado e deve ser enviado também ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Nesta quinta-feira (6), mais 11 servidores comissionados foram exonerados do Instituto Rio Metrópole. Desde a operação que prendeu integrantes da cúpula da autarquia, mais de 60 pessoas já deixaram os cargos.

Em nota, a Inducta afirmou que ainda não recebeu oficialmente o conteúdo da auditoria nem teve acesso ao relatório completo. A empresa disse considerar a suspensão dos estudos prematura e afirmou que, caso o serviço seja interrompido, o Instituto Rio Metrópole deverá ser ressarcido pelos valores investidos.

A empresa também declarou que os estudos envolveram análises técnicas, econômicas, financeiras e jurídicas, além de uma base de dados com informações de cerca de 10 mil unidades consumidoras. A Inducta afirmou ainda que os laudos foram assinados pelos dois engenheiros-diretores por serem os responsáveis técnicos perante o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), mas que os trabalhos envolveram equipes multidisciplinares.

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