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Baixa vacinação põe o RJ em alerta contra paralisia infantil

Estado não registra casos desde 1987, mas meta de imunização não é batida desde 2016; especialistas temem que nova geração, que não viu a doença, seja surpreendida

Da redação
DA REDAÇÃO

23/10/2025 • 07:49 • Atualizado em 23/10/2025 • 07:49

Zé gotinha em campanha de vacinação contra paralisia infantil

Zé gotinha em campanha de vacinação contra paralisia infantil

José Cruz/Agência Brasil

A erradicação da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, no estado do Rio de Janeiro está sob ameaça devido à baixa cobertura vacinal registrada nos últimos nove anos. O último caso da doença foi notificado em 1987, mas, desde 2016, a taxa de imunização não atinge a meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunização (PNI).

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O alerta é da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), que aproveita a proximidade do Dia Mundial de Combate à Poliomielite (24 de outubro) para fazer um apelo aos pais e responsáveis.

A campanha de multivacinação, que segue até 31 de outubro, é apontada como uma oportunidade crucial para resgatar crianças e adolescentes com o calendário de vacinas atrasado.

De acordo com dados da SES-RJ, a cobertura para crianças menores de 1 ano está em 71,86% em 2024. O reforço, aplicado aos 15 meses, alcançou apenas 70,09% dos pequenos fluminenses. Os números representam uma melhora em relação aos índices críticos registrados durante a pandemia – em 2021, a cobertura caiu para 45,86%, mas ainda estão muito distantes da segurança sanitária.

Queda livre e recuperação Lenta

A análise histórica mostra uma queda abrupta a partir de 2016:

• 2015: 107,03% (meta superada)

• 2016: 89,93% (início da queda)

• 2020: 56,84% (pior índice)

• 2024: 81,77% (recuperação insuficiente)

"Vacinas salvam vidas"

Em nota, a secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, destacou a importância de manter altas coberturas. "Conseguimos vencer a pólio, mas precisamos evitar o retorno dessa doença que é grave. Apesar de ainda estarmos longe dos 95% necessários, a boa notícia é que temos ampliado os índices nos últimos anos. Vacinas salvam vidas", ressaltou.

A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES-RJ, Cristina Giordano, fez um alerta sobre os riscos da baixa adesão. "Uma pessoa pode ter contato com o vírus em uma viagem ao exterior e, por não estar vacinada, abre brecha para se infectar e contrair a doença, além de servir como fonte de infecção para novos casos aqui no Brasil", explicou.

Mudança na vacina

A campanha deste ano traz uma novidade: a substituição da Vacina Oral (VOP), a "gotinha", pela Vacina Injetável contra a Poliomielite (VIP) para as doses iniciais. O esquema vacinal completo é de quatro doses: aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço aos 15 meses.

A poliomielite é uma doença contagiosa causada por um vírus que pode infectar crianças e adultos por meio do contato com fezes ou secreções de pessoas infectadas. Em casos graves, provoca paralisia irreversível, principalmente nos membros inferiores. A doença foi considerada eliminada das Américas em 1994, mas ainda circula em países como Afeganistão e Paquistão, representando um risco constante de reintrodução.

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