
Coronel Marcelo de Menezes Nogueira
Reprodução
Chefes do Comando Vermelho planejaram uma "represália direta" contra o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira. A informação consta em um relatório de inteligência da Delegacia de Repressão aos Entorpecentes da Polícia Civil obtido pela BandNews FM.
O documento, classificado como sigiloso, aponta que a ameaça partiu do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefes da facção. Os criminosos estavam monitorando o PM, inclusive com o endereço dele.
Segundo a investigação, o plano seria uma reação às recentes operações policiais que atingiram estruturas estratégicas da organização criminosa. Entre elas, uma ação da Polícia Militar, em janeiro, que terminou com a morte do chefe de Wagner Barreto de Alencar. Conhecido como Cachulé, ele chefiava o tráfico no Morro do Barbante, na Ilha do Governador.
A apuração indica que, após uma reunião entre integrantes de alto escalão da facção, foi decidido não apenas avançar na expansão territorial na Zona Oeste da capital, mas também promover uma ação de retaliação contra autoridades da segurança pública.
Menezes foi apontado como alvo prioritário. De acordo com o relatório, houve um levantamento detalhado de informações pessoais, incluindo endereço e rotina, com o objetivo de viabilizar essa possível ação criminosa.
Ainda segundo o material obtido pela Band News FM, a reunião contou com a presença de chefes conhecidos da facção. Além de Doca, teriam participado Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal. A partir desse episódio, a facção teria intensificado o planejamento de ações tanto para retomar territórios quanto para enfrentar diretamente o poder público.
Comunidades de Santa Cruz, como Rodo, Antares e Barbante, aparecem como alvos prioritários dentro dessa estratégia de expansão territorial. A inteligência também aponta que o grupo atua em duas frentes simultâneas: avanço de domínio em áreas estratégicas e confronto direto com agentes do Estado.
Outros detalhes da investigação permanecem sob sigilo para não comprometer o andamento das ações policiais.
Procurado, o secretário de Polícia Militar confirmou que está ciente da ameaça. Em nota, ele afirmou:
Sim, houve informação de inteligência apontando ameaça concreta contra mim, numa reação de lideranças criminosas atingidas pelas ações firmes que determinamos no Complexo do Alemão. Recebi isso com a serenidade de quem sabe o peso da função que ocupa. Não recuarei um milímetro. Reforcei, por cautela, a segurança da minha família e a minha própria, porque proteger os meus também é dever. Mas é importante que a população entenda uma coisa: quando o crime se incomoda a esse ponto, é porque o Estado acertou o alvo. Não fui escolhido por acaso. Fui ameaçado porque enfrentamos interesses poderosos, desmontamos estruturas e mostramos que o Rio de Janeiro não será governado pelo medo. Meu compromisso continua sendo com o policial que vai para a rua, com a mãe de família que quer sair de casa sem pavor e com o cidadão de bem que já cansou de ver bandido impor regra onde só a lei deve prevalecer. Se a resposta deles é a intimidação, a minha seguirá sendo trabalho, coragem e presença. Não haverá covardia, não haverá silêncio e não haverá recuo.
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