
Paraty
Tomaz Silva/Agência Brasil
O número de denúncias relacionadas à atuação do tráfico de drogas em Paraty, no Sul Fluminense, teve um aumento superior a 360% entre 2022 e 2025. Os dados são do Disque Denúncia e foram obtidos com exclusividade pela BandNews FM.
Em 2022, o serviço recebeu 33 denúncias anônimas sobre o crime no município. No ano seguinte, foram 41 registros. Em 2024, o número subiu para 81. Já em 2025, o total chegou a 152 denúncias. A atuação do tráfico lidera o ranking de ocorrências comunicadas ao Disque Denúncia em Paraty.
De acordo com o órgão, a comunidade caiçara de Trindade concentra o maior volume de denúncias relacionadas ao tráfico de drogas. A região é um dos destinos turísticos mais conhecidos do município e fica próxima à Praia do Sono, área que passou a ser investigada pelas autoridades após relatos de ameaças de criminosos contra barqueiros para a cobrança de propina nos últimos meses.
As denúncias mais recentes também apontam que criminosos estariam cobrando taxas de estacionamento de forma irregular em diferentes pontos da cidade.
A Polícia Civil informou que investiga a atuação dos grupos criminosos na região, com o objetivo de identificar lideranças, mapear a dinâmica do crime organizado e desarticular estruturas ilegais. Os inquéritos instaurados são acompanhados pelo Ministério Público.
O avanço de criminosos ligados ao Comando Vermelho em áreas como a Praia do Sono e Ponta Negra levou a Polícia Militar a planejar novas estratégias de segurança para moradores, comerciantes e visitantes.
Na segunda-feira (12), a 2ª Companhia Independente da PM solicitou a compra de uma embarcação, com motor e carreta para transporte, para ampliar a fiscalização em regiões de difícil acesso por terra. Em um ofício interno obtido com exclusividade pela BandNews FM, o comandante Lorival Belitardo Junior destacou que o acesso terrestre à Praia do Sono leva, em média, mais de uma hora, enquanto o deslocamento a pé até Ponta Negra pode chegar a cinco horas.
No documento, o tenente-coronel também apontou limitações no deslocamento dos policiais e dificuldades para obter apoio da Marinha do Brasil, que não teria embarcações adequadas para acessar áreas costeiras e insulares. O município possui uma extensa faixa litorânea, com ilhas, enseadas e áreas de difícil acesso.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que atua de forma integrada com a Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, para coibir ações de grupos criminosos em Paraty.
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