
Deputado estadual Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins
Reprodução
O Ministério Público do Rio e a Polícia Civil realizaram nesta quinta-feira (18) uma operação que tem como alvos o deputado estadual Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins. A investigação apura uma possível ligação dos dois com a facção Terceiro Comando Puro.
Na ação, os agentes apreenderam mais de R$ 300 mil na casa de Val Ceasa, além de computadores, 11 celulares, cinco armas, munições e documentos. Também foram cumpridos mandados na Assembleia Legislativa do Rio e em imóveis de alto padrão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.
Segundo as investigações, Val Ceasa e Ulisses Marins, que têm base eleitoral em bairros da Zona Norte do Rio, procuraram um batalhão da Polícia Militar no fim de 2023 para tentar impedir a demolição de imóveis atribuídos ao TCP em Parada de Lucas, na Zona Norte. O local, que tinha academia, piscinas, lago artificial e peixes, era apontado como ligado a Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, indicado pelos investigadores como chefe da facção.
A Secretaria de Ordem Pública adiou a operação de demolição, alegando falta de apoio policial. A derrubada dos imóveis aconteceu no ano passado.
Segundo depoimento do então secretário Brenno Carnevale, o ex-vereador Ulisses Marins teria dado a entender, em uma conversa, que “no que dependesse do batalhão e de seu comandante, não haveria operação alguma no local”.
Ainda de acordo com a investigação, para tentar impedir a demolição, os políticos colocaram uma faixa no local indicando que o espaço seria sede de um projeto social desenvolvido por eles e pela deputada federal Dani Cunha.
Ulisses Marins também teria intermediado uma mensagem de áudio de Peixão para o secretário de Ordem Pública sobre o funcionamento de uma festa junina no conjunto de favelas.
Nesta quinta-feira (18), o deputado Val Ceasa negou as acusações.
O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio Campos Moreira, afirmou preocupação com mais um possível caso envolvendo políticos e integrantes do tráfico.
A Alerj informou, em nota, que acompanha e colabora com as investigações.
O terceiro alvo da operação foi Michael Jhonny Vianna de Azevedo, ex-assessor de Val Ceasa e atual funcionário da Rioluz. Ele e uma mulher foram presos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, que também foi presa, aparece em vídeos na internet ao lado de Val Ceasa.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que os fatos relacionados à ordem de demolição dos imóveis foram acompanhados pelo comando da corporação, junto com os órgãos oficiais envolvidos.
A reportagem procurou a Rioluz e as defesas de Ulisses Marins, Michael Vianna, Dani Cunha e Suelen dos Reis, mas não recebeu resposta.
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