
Energia em Copacabana é normalizada quase 48 horas após o início dos problemas na região
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Moradores e comerciantes de alguns pontos de Copacabana e do Leme, na Zona Sul do Rio, só voltaram a ter o fornecimento de energia regularizado na manhã desta segunda-feira (5), quase 48 horas após o início do problema.
Segundo a Light, a rede elétrica na região sofreu danos severos por conta de um caso de furto de cabos subterrâneos. Por conta disso, houve problemas no fornecimento desde o meio-dia do último sábado (3).
A reportagem da BandNews FM esteve na Rua Belfort Roxo, na manhã desta segunda-feira (5), após um ouvinte que mora no local relatar que ainda estava sem luz. A advogada Rosa Assef conta que, nos últimos dias, precisou contar com a ajuda de amigos que moram em regiões em que a energia já tinha sido restabelecida.
Desculpas, assim, inaceitáveis de uma empresa como a Light. É uma época em que a cidade está cheia de turistas. É muito vergonhoso. Eu mesmo ajudei turistas a subirem as escadas do meu prédio com malas. Geladeira estragou tudo, jogamos fora. E a gente vai na casa de amigos que estão na área que tem luz para poder carregar a bateria do celular, bateria externa e o celular para ver se dura até o dia seguinte.
Entre os comerciantes, um cozinheiro relata que o restaurante em que trabalha não conseguiu abrir as portas no período em que esteve sem energia, precisando comprar sacos de gelo para manter as mercadorias, enquanto a síndica de uma galeria pagou mais de R$ 10 mil para alugar um gerador.
A gente continuou vendendo, vendendo até terminar o que estava pronto. De domingo e hoje nada, não tem como fazer, a cozinha é muito quente, sem ar-condicionado, não tem como ficar na cozinha escura, é muito escuro, não tem como.
Aqui nós temos três salões de beleza, nenhum deles está podendo atuar, não tem luz, não tem água, não tem como você fazer serviços básicos aqui, então está difícil, está muito difícil. O condomínio que está contratando, nós temos aparentemente 12 mil reais para dez horas, que é o que a gente tem pelo menos para conseguir abastecer os apartamentos.
No Leme, as ruas foram tomadas por geradores. A síndica de um prédio no fim da Avenida Atlântica, Giselle Ornelas, diz que idosos acamados que vivem no edifício ficaram desassistidos.
A energia voltou numa fase aqui do condomínio, que é dos apartamentos, mas a fase 1, eu estou com o meu próprio gerador que entrou desde o início do problema. Perdi tudo, eu particularmente, inclusive perdi tudo. O que mais me preocupa, que eu tenho duas pessoas aqui, uma senhora de 99 anos, são essas situações que são realmente muito delicadas.
O morador das comunidades da Babilônia e Chapéu Mangueira, Anderson Ribeiro, ressalta que sem energia, as bombas d'água não funcionam para abastecer os moradores, já que a região não recebeu geradores.
Para a favela, a gente está lá até agora sem luz e sem previsão. E consequentemente, não tem luz, não tem a bomba que não aciona, não tem água lá em cima, as pessoas não têm internet, estão incomunicáveis. Disponibilizaram aqui, para alguns prédios aqui que não conseguiram voltar a luz, geradores. Para a gente, não tem gerador para as pessoas carregarem o celular e nem gerador para que a bomba de água seja acionada para a gente ter água. Então, a favela está totalmente esquecida. As minhas carnes que eu comprei estão apodrecendo na geladeira, está tendo um prejuízo enorme tanto para os comerciantes como os moradores que fizeram compras.
A Light afirma que o fornecimento de energia foi restabelecido nas regiões, mas que as equipes da companhia seguem atuando no trabalho complexo de recomposição e reforço da infraestrutura elétrica, por conta da extensão dos danos causados pela ação criminosa. O prejuízo ainda está sendo contabilizado para denunciar à Polícia Civil.
Já a Polícia Militar diz que não houve acionamento para episódios de roubos ou furtos de cabos nos bairros, mas que o comandante do Batalhão de Copacabana tentou estabelecer contato com a Light, sem retorno.
A Associação de Moradores de Copacabana diz que vai solicitar à Secretaria de Defesa do Consumidor e ao Procon que a concessionária seja autuada e multada, por não ter cumprido o prazo de 24 horas para restabelecimento do fornecimento, segundo resolução da Aneel, além de exigir a indenização pelos danos sofridos pelos condomínios, comerciantes e consumidores atingidos pelo apagão.
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