
Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte carioca
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O decreto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) só poderia ser aplicado no Rio de Janeiro para apoiar operações da Marinha se houvesse um plano de retomada dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital. A avaliação é do pesquisador associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Luís Flávio Sapori, em entrevista à BandNews FM.
O especialista afirmou que a medida garantiria o apoio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, mas ressaltou que a GLO já fracassou em outras ocasiões e só teria sentido com uma estratégia de ocupação permanente das áreas dominadas pelo tráfico.
A declaração foi dada após o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciar, na quarta-feira (29), a criação do Escritório Emergencial de Enfrentamento ao Crime Organizado, em resposta à megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão.
O novo órgão vai integrar as forças de segurança federais e estaduais e será coordenado pelos secretários Victor dos Santos, do Governo do Rio, e Mário Sarrubbo, do Governo Federal. Segundo o ministro Ricardo Lewandowski, a iniciativa não será permanente, mas tem o objetivo de apoiar a tomada de decisões conjuntas.
Durante reunião com o governador Cláudio Castro, Lewandowski também anunciou o reforço da Força Nacional e o aumento do efetivo das polícias Federal e Rodoviária Federal no estado.
O governador, por outro lado, descartou a necessidade de uma GLO e afirmou que “não precisa que o Governo Federal faça o trabalho dele”.
A comitiva federal foi enviada ao Rio a pedido do presidente Lula, que, segundo Lewandowski, ficou “estarrecido” com o balanço da megaoperação, que deixou mais de cento e vinte mortos e quatro policiais mortos.
O ministro também disse que o Governo Federal não foi comunicado sobre a data da operação. Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, admitiu que o nível operacional da corporação foi informado sobre as investigações, mas sem definição de data.
Para Sapori, a ação pode ter fragilizado o Comando Vermelho, mas não elimina a atuação da facção nas comunidades.
De acordo com o Governo do Rio, a Operação Contenção resultou em 113 prisões, além da morte de ao menos 115 suspeitos e da apreensão de 118 armas e toneladas de drogas. Planejada por 60 dias, a operação é considerada a maior ação de segurança do estado em 15 anos.
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