
Material bélico
Reprodução
Um esquema interestadual de venda de material bélico impresso em 3D é alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio em todo o país nesta quinta-feira (12). O Ministério Público do Rio e o Ministério Público de São Paulo também participam da Operação Shadow Gun.
A ofensiva mira pessoas investigadas por comercializar e produzir carregadores de arma de fogo por meio de impressão 3D.
O objetivo é cumprir 4 mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados do país, em endereços ligados aos vendedores e aos compradores do material.
A operação foi deflagrada com a cooperação de organismos internacionais.
As investigações tiveram início após um órgão internacional compartilhar com o Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB) um alerta sobre um usuário de uma rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos impressos em 3D.
As armas produzidas são chamadas de "fantasmas", por não possuirem rastreabilidade. Os armamentos podem ser montados com materiais de fácil acesso.
Segundo a polícia, o chefe da da organização criminosa é um engenheiro especializado em controle e automação e foi o principal desenvolvedor técnico do armamento. Sob um pseudônimo, ele publicava testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.
Segundo os investigadores, ele chegou a reproduzir um manual com mais de cem páginas, descrevendo todas as etapas necessárias para a fabricação da arma, permitindo que qualquer pessoa com conhecimentos intermediários pudesse produzir o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos de baixo custo.
O chefe do grupo ainda produzia em casa carregadores alongados de pistolas de diversos calibres e comercializava o material em uma plataforma de venda on-line.
Ainda de acordo com a policia, o acusado possui mais três comparsas. Os agentes também tentam cumprir mandados de prisão contra eles.
Cada investigado possuía uma função específica: o primeiro atuava no fornecimento de suporte técnico direto; o segundo realizava a função de divulgador, analista e articulador filosófico do movimento; e o terceiro assumia a frente da propaganda e da identidade visual.
As atividades eram financiadas através de uma criptomoedade.
As apurações apontaram que o principal produto disseminado pelo grupo é uma arma semiautomática e componentes não regulamentados.
O material circulou amplamente em redes sociais, fóruns e na dark web, criando um verdadeiro ecossistema clandestino voltado à produção e circulação de armamentos não rastreáveis.
Ao todo, foram identidicados 79 compradores, entre 2021 e 2022, em 11 estados do país.
A maioria tem antecedentes criminais relacionados ao tráfico de drogas e outros delitos graves.
No Rio de Janeiro, os agentes identificaram 10 compradores: em São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital fluminense.
A polícia apura agora o destino do material bélico no estado, que teria como fim as mãos do crime organizado, como o tráfico de drogas e a milícia. Um dos compradores atualmente preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munição.
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