Bandnews FM
BandNews FM Rio

Esquema de estelionato religioso por telemarketing é descoberto pela Polícia e MP

O grupo cobrava até R$ 1.500 por "promessas de cura" e "milagres"

CLARA NERY

24/09/2025 • 15:39 • Atualizado em 24/09/2025 • 15:39

Os agentes cumpriram 3 mandados de busca e apreensão durante a operação Blasfemica

Os agentes cumpriram 3 mandados de busca e apreensão durante a operação Blasfemica

Divulgação

Um esquema de estelionato religioso via telemarketing com atuação em todo o país é descoberto pela Polícia Civil e o Ministério Público. O grupo, que foi alvo de ação nesta quarta-feira (24), cobrava até R$ 1.500 por "promessas de cura" e "milagres".

Compartilhar

Os agentes cumpriram 3 mandados de busca e apreensão durante a operação Blasfemica.

Segundo as investigações o grupo movimentou pelo menos R$ 3 milhões em 2 anos.

Luiz Henrique dos Santos Ferreira, o Pastor Henrique Santini ou Profeta Santini, é apontado como chefe do esquema. A Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica, o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens.

De acordo com o delegado Luiz Henrique Marques, o intuito do grupo é arrecadar dinheiro e enganar os fiéis.

Um dos mandados foi cumprido dentro da casa de Santini em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo os agentes, ele resistiu a abrir a porta para a polícia.

Computadores, documentos, celulares e dinheiro em espécie foram apreendidos.

A investigação aponta que com 9 milhões de seguidores nas redes sociais, Santini divulgava vídeos com mensagens religiosas e números de telefone para contato.

No entanto, nas conversas eram reproduzidos áudios gravados, apesar de os fiéis acreditarem estar recebendo bênçãos diretamente de Santini.

O objetivo era induzir transferências bancárias via PIX, sob o pretexto de doações espirituais. Os valores variavam entre R$ 20 e R$ 1.500, conforme o tipo de oração oferecida.

O grupo operava a partir de escritórios de telemarketing em Niterói e São Gonçalo, onde pelo menos 70 atendentes simulavam ser Santini em conversas por aplicativos de mensagens.

Esses funcionários eram contratados em plataformas on-line e recebiam comissões conforme o volume arrecadado. Documentos apreendidos revelam metas rígidas de desempenho e até dispensas por baixa arrecadação.

Ao todo, 23 pessoas foram denunciadas e se tornaram rés pelos crimes de estelionato, charlatanismo, curandeirismo, associação criminosa, falsa identidade, crime contra a economia popular, corrupção de menores e lavagem de dinheiro.

As penas podem chegar a 29 anos de prisão. Ao menos 7 adolescentes teriam sido aliciados para participar do esquema.

A reportagem da BandNews FM tenta contato com as defesas dos citados.

Tópicos relacionados