
Bosque da Barra seco
Filipe Macon/BTN/Band News FM
O estudo sobre a hidrodinâmica do Parque Natural Municipal Bosque da Barra, na Zona Oeste do Rio, para mapear o sistema hídrico da região vai levar três meses para ser concluído. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima. Apesar das recentes chuvas na capital fluminense, o cenário do local é parecido com o encontrado em outubro do ano passado, quando o ressecamento do lago do Bosque da Barra foi denunciado. A reportagem da BandNews FM esteve na manhã desta terça-feira (8) no local e constatou que o lago, onde viviam dezenas de jacarés-de-papo-amarelo e outras espécies de animais, continua seco, assim como a área conhecida tradicionalmente por ser reservada a piqueniques. Mas, em nota oficial, a Prefeitura do Rio afirma que os níveis dos lagos apresentam melhora desde o dia 14 de março, quando a concessionária Iguá começou a realizar o abastecimento de 70.000 m³ de água potável com cloro de forma gradual. A medida foi solicitada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima após determinação do Ministério Público. Os pontos foram determinados pela gestão do parque municipal. Trinta e um jacarés-de-papo-amarelo viviam no espaço. Muitos não resistiram, inclusive filhotes que tiveram que ser levados para tratamento em condição de subnutrição. A estudante Louise Saraiva, de 23 anos, passou parte da infância no Bosque da Barra. Na última vez que ela veio, encontrou um deles andando em um espaço comum fora do lago. Um relatório inicial do MP já havia indicado que o ressecamento foi causado pelo rebaixamento do lençol freático do Bosque da Barra feito pela concessionária Iguá, que possui uma Estação de Tratamento de Esgoto no terreno vizinho e realiza obras de melhoria no local, além do período de estiagem. Os serviços continuam, mas a etapa de rebaixamento do lençol freático foi concluída em outubro do ano passado. A Iguá discorda do Ministério Público e afirma que há relação entre a seca nos lagos artificiais do Bosque da Barra com a sazonalidade e à ausência - ou baixa ocorrência - de chuvas. O ambientalista Emanuel Alencar classificou o caso como "crime ambiental". O também conselheiro do Bosque da Barra disse que o responsável precisa ser punido. Muitos frequentadores também reclamam da falta de conservação do Bosque da Barra. A psicóloga Lilian Guimarães afirma que o parque não tem sido limpo e capinado. O Instituto Estadual do Ambiente multou a Iguá em R$ 157 mil por ter deixado de prestar informações ao órgão ambiental estadual sobre as intervenções que ocasionaram o baixo nível de água nos lagos do Bosque da Barra. No momento, o Inea aguarda a manifestação da empresa referente a essa penalidade, conforme estabelece a legislação ambiental.
Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiental e Clima disse que acompanha o aporte de águas, com o objetivo de reduzir os impactos da redução de nível nas lagoas e garantir a saúde ecológica do sistema hídrico local.
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