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EXCLUSIVO: Policiais baleados em megaoperação no Rio relatam “guerra mais intensa da carreira”

Em depoimentos exclusivos à repórter Clara Nery, da BandNews FM e da TV Band, capitão e sargento contam como agiram após serem atingidos durante intenso tiroteio em área de mata

CLARA NERY

05/11/2025 • 11:23 • Atualizado em 05/11/2025 • 11:23

Políciais na rua durante megaoperação na Penha e Alemão

Políciais na rua durante megaoperação na Penha e Alemão

Fernando Frazão/Agência Brasil

Em depoimentos exclusivos à repórter Clara Nery, da BandNews FM e da TV Band, os policiais militares Capitão Paulo Roberto Araújo e Sargento Jorge Martins da Fonseca relataram os momentos de desespero e resistência durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na semana passada - considerada a maior da história do Rio. Ambos foram baleados em meio ao confronto com traficantes armados na mata entre as comunidades.

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O capitão Paulo Araújo, com 22 anos de experiência no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), classificou o confronto como o “mais violento da carreira”.

“A gente não esperava um confronto tão intenso. Foram muitos tiros e vários policiais atingidos ao mesmo tempo. A prioridade naquele momento foi resgatar os mais graves - o sargento Alaí, o sargento A. Souza e o sargento Marcelo André.”

O oficial explicou que, mesmo ferido, manteve a calma para não comprometer a segurança da equipe.

“Quando você é baleado, tem que avisar no rádio, mas sem pânico. O desespero contamina a tropa. A patrulha sempre tem um paramédico, e o meu atendimento foi feito pelo sargento Brandão, muito técnico, muito profissional. Tudo isso ainda sob tiros, com o confronto ativo.”

Ele contou que o tiroteio aconteceu em área de mata, estratégia para evitar danos a moradores das comunidades.

“Foi tudo na mata, justamente pra evitar o efeito colateral. Os criminosos não mostraram nenhum tipo de negociação, foram direto pro confronto. Em 22 anos de BOPE, essa foi a guerra mais intensa que já enfrentei.”

O sargento Jorge Martins da Fonseca também foi baleado e relembrou o momento em que tentou prestar socorro aos colegas, mesmo ferido.

“Quando fui atingido, vi que havia três companheiros ao meu lado também baleados. Eu sabia que o ferimento era de fuzil, que causa muito estrago, mas mantive a calma. Tinha gente mais grave que eu. Pedi para o paramédico estabilizar o sargento Marcelo André, que sangrava muito na perna.”

Fonseca afirmou que a frieza e o treinamento militar foram essenciais para evitar novas mortes.

“A calma é primordial. Se eu me desesperasse, mais colegas poderiam se ferir. A gente pensa: a única opção é manter o controle. O confronto ainda rolava, mas nossa prioridade era garantir que ninguém mais fosse atingido.”

O sargento comparou a operação com outros confrontos vividos ao longo da carreira.

“Só vi algo parecido em 2013, quando perdemos o subtenente Gripe. Mas dessa vez foi diferente. Vieram muitos disparos na nossa direção. Foi o confronto mais intenso da minha vida.”

Em recuperação no Hospital Central da Polícia Militar, o sargento disse que está bem e quer voltar a trabalhar.

“Fui bem atendido, a cicatrização tá boa. Já tô colocando o pé no chão devagarzinho. Quero voltar, rever os amigos e seguir fazendo o melhor possível.”

A megaoperação da Penha e do Alemão, realizada pelas polícias Civil e Militar, deixou mais de 100 mortos, dezenas de feridos e foi considerada a maior já feita no estado.

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