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Familiares de 96 bebês mortos em Cabo Frio são ouvidos em Corte internacional

Brasil pode ser responsabilizado por violações ao direito à saúde na UTI neonatal

ERICKA LEVIGARD

26/09/2025 • 17:56 • Atualizado em 26/09/2025 • 17:56

Atualmente, o local passou a funcionar como um serviço ambulatorial, sob competência de monitoramento da Vigilância Sanitária Municipal.

Atualmente, o local passou a funcionar como um serviço ambulatorial, sob competência de monitoramento da Vigilância Sanitária Municipal.

Reprodução

Familiares dos 96 bebês que morreram em Cabo Frio, na Região dos Lagos, entre junho de 1996 e março de 1997, são ouvidos na Corte Interamericana de Direitos Humanos. O julgamento foi dividido em duas partes e começou às 8h30 desta sexta-feira (26), em Assunção, no Paraguai. Não há previsão de data para a sentença.

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A filha de Helena Gonçalves dos Santos foi uma das 96 crianças que contraíram uma infecção hospitalar na UTI neonatal da Clínica Pediátrica da Região dos Lagos. À Corte, Helena contou que ela e outras mães foram privadas do direito de conviverem com os filhos. Apesar da dor, ela considera o julgamento uma vitória para as Mães de Cabo Frio, que têm a luta reconhecida internacionalmente.

Este é o primeiro julgamento internacional em que o Brasil pode ser responsabilizado por violações sistemáticas ao direito à saúde de recém-nascidos e suas famílias.

As denúncias indicam que as vítimas nasceram sem nenhum problema de saúde. Ao serem levados à UTI neonatal da clínica, os bebês contraíram uma infecção hospitalar. À princípio, as famílias acreditavam que eram casos isolados. No entanto, as mães se reuniram e formaram a rede Mães de Cabo Frio, com o objetivo de denunciar e cobrar justiça pelas mortes dos bebês.

A diretora-executiva da Justiça Global, que representa a defesa das mães de Cabo Frio, Glaucia Marinho, afirma que 79 prontuários de bebês chegaram a desaparecer, durante os anos, e que o caso foi marcado pela negligência do governo.

A denúncia foi inicialmente apresentada no ano 2000 à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O pedido foi admitido em 2008 e, em 2022, a Comissão emitiu um relatório de mérito apresentando o caso à Corte. As famílias afirmam que o Estado do Rio sabia do risco iminente aos bebês e acusa o Governo de negligência ao descumprir com o dever de fiscalização e supervisão da Clínica Pediátrica da Região dos Lagos.

Os representantes do Brasil presentes na Corte reforçaram que os fatos foram investigados em 1997 e 1999. Oito médicos foram investigados e absolvidos pela Justiça.

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde disse que a Clínica Pediátrica da Região dos Lagos foi monitorada rigorosamente pela Vigilância Sanitária do Estado durante os anos seguintes ao caso, até que sua interdição definitiva fosse realizada.

Atualmente, o local passou a funcionar como um serviço ambulatorial, sob competência de monitoramento da Vigilância Sanitária Municipal.

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