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Fiocruz analisa impacto da circulação de Covid-19 no Complexo da Maré durante pandemia

Segundo estudo, o local atuou como uma espécie de reservatório natural para o vírus causador da Covid-19 e facilitou a evolução de novas cepas

Guilherme Faria
GUILHERME FARIA

24/02/2025 • 19:16 • Atualizado em 24/02/2025 • 19:16

Fiocruz

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Leonardo Oliveira/Fiocruz

O Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, atuou como uma espécie de reservatório natural para o vírus causador da Covid-19 e facilitou a evolução de novas cepas durante a pandemia. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, divulgado nesta segunda-feira (24), que analisa o impacto global da circulação viral em favelas. Entre 2020 e 2022, os pesquisadores coletaram mais de 500 amostras para analisar o comportamento do vírus na região, fazendo o diagnóstico e o sequenciamento genético dos testes por demanda espontânea. Os resultados obtidos também indicam que a maioria das infecções teve origem fora da comunidade, destacando a influência da mobilidade dos moradores e da exposição externa na circulação do vírus. O acesso limitado ao saneamento adequado, somado à pouca ventilação e residências com muitas pessoas morando ao mesmo tempo são alguns dos fatores apontados como responsáveis por ajudar na maior transmissão e dispersão do vírus. Para o pesquisador Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, melhorias na infraestrutura e nos serviços básicos nas favelas são passos cruciais para elevar o nível da saúde pública e evitar que o cenário se repita em futuras epidemias ou pandemias.

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Então, o que esse estudo revela para a gente é que as áreas de comunidade, elas precisam de fato de maiores investimentos em saneamento, em moradia, em educação e saúde para que elas não se tornem uma espécie de reservatório amplificador dos vírus com potencial pandêmico e epidêmico

Assim como muitas favelas brasileiras, a Maré está localizada em uma área urbana central, o que levanta a hipótese de que um vírus disseminado nessas áreas pode alcançar uma circulação mais ampla. Segundo a Fiocruz, entre 2020 e 2021, a taxa de mortalidade no complexo de comunidades registrou índices entre 10% e 16%, quase o dobro do observado na cidade do Rio de Janeiro no período. O estudo realizado pela Fiocruz teve a parceria de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

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