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ICMBio alerta para impactos de prédios de até 20 andares em Teresópolis

nstituto aponta riscos ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos e ao Dedo de Deus; MP e entidades questionam lei sancionada sem estudos técnicos e participação popular

João Boueri
JOÃO BOUERI

27/03/2026 • 13:23 • Atualizado em 27/03/2026 • 13:23

ICMBIO alerta sobre riscos após liberação da construção de prédios de até 20 andares em Teresópolis

ICMBIO alerta sobre riscos após liberação da construção de prédios de até 20 andares em Teresópolis

Reprodução/Prefeitura de Teresópolis

O ICMBio afirma que a construção de prédios de até 20 andares em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, vai trazer consequências ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos e ao complexo do Dedo de Deus. A informação consta em um parecer do próprio instituto sobre a lei complementar sancionada pelo município.

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O documento destaca que a mudança urbanística, com prédios com 60 metros de altura, vai impactar a Zona de Amortecimento do Parque. O instituto destacou que a vista do Dedo de Deus e da cadeia da Serra dos Órgãos faz parte da identidade de Teresópolis.

No processo que corre na 1ª Vara Federal do município, o ICMBio pediu para também constar como autor da ação proposta inicialmente pela Associação dos Moradores e Amigos do bairro da Posse contra a Prefeitura.

Para a presidente da AMAPOSSE, Márcia Peixoto, o município deveria rever a lei sancionada. Segundo a advogada, o Ministério Público Federal também se manifestou.

Em dezembro do ano passado, a Prefeitura de Teresópolis sancionou o projeto de lei aprovado na Câmara Municipal que duplica o gabarito máximo previsto no Plano Diretor.

Segundo moradores, a votação no dia 19 de dezembro, último dia de sessão legislativa do ano, durou segundos. O projeto estava em "bloco único", junto com outros textos. Todos os 21 vereadores aprovaram.

De acordo com o Ministério Público do Rio, a nova regra viola princípios e diretrizes estabelecidos pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Sustentável de Teresópolis.

Além disso, para o MP, a lei foi aprovada sem a realização de estudos técnicos que justifiquem a alteração no perfil arquitetônico da cidade. O órgão recomendou a revogação da lei complementar e a suspensão de todos os licenciamentos urbanísticos impactados pela nova regra.

A preocupação também tem relação com impactos na infraestrutura urbana, na paisagem e no meio ambiente. A Câmara Municipal e a Prefeitura não realizaram consulta prévia à população e nem audiência pública. Os conselhos municipais da cidade e de defesa ao Meio Ambiente também não foram consultados.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro também se manifestou contra a construção de edifícios de até 20 andares em Teresópolis. A presidência do CAU-RJ questionou a falta de embasamento técnico para a mudança.

A OAB de Teresópolis também se manifestou e disse que as omissões do município configuram violação aos princípios do planejamento urbano, da função social da cidade, da gestão participativa e da legalidade urbanística. A Ordem afirmou que o crescimento urbano não pode ocorrer à margem da lei.

Procurada, a Prefeitura de Teresópolis ainda não se manifestou.

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