
Procurada, a Prefeitura do Rio não se posicionou
Reprodução
A Prefeitura do Rio e a construtora responsável pelas obras de um empreendimento com cerca de 400 unidades habitacionais no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, Zona Sul da cidade, terão que encaminhar laudos e estudos técnicos à Justiça do Rio e ao Ministério Público.
A determinação ocorre após uma decisão liminar que mandou paralisar as obras no local. Segundo o juiz Wladimir Hungria, as provas reunidas no processo indicam degradação da vegetação, com poda em larga escala de árvores. O promotor de Justiça Carlos Frederico Saturnino também se manifestou a favor da paralisação.
A decisão judicial ainda proíbe qualquer alteração no Pavilhão São Clemente, na antiga cavalariça, na guarita e no gradil histórico do antigo colégio. Na madrugada desta quinta-feira (22), a Justiça iniciou o processo de notificação da decisão. Até a noite anterior, a Newview Incorporadora informou que não tinha conhecimento da liminar.
Caso o município não cumpra a ordem e as obras não sejam paralisadas, está prevista multa diária de R$ 10 mil.
Na véspera do Ano-Novo, mais de 70 árvores foram cortadas durante intervenções realizadas pela construtora TGB Empreendimentos Imobiliários Limitada. A Justiça destacou que o terreno é tombado pelo município desde janeiro de 2014, quando a Prefeitura reconheceu o valor arquitetônico e paisagístico da área e determinou que as árvores fossem imunes a cortes.
Em julho de 2024, dez anos após o tombamento, o terreno foi arrematado em leilão público da Fundação Metodista, antiga proprietária do colégio Bennett, pela TGB Empreendimentos e pelo Banco BTG Pactual. As obras foram aprovadas pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, órgão vinculado ao gabinete do prefeito.
A ação judicial também aponta a possibilidade de impactos ambientais, como o aumento do risco de alagamentos na Rua Marquês de Abrantes, em função da retirada da vegetação.
Procurada, a Prefeitura do Rio não se posicionou. Em nota, a Newview Incorporadora afirmou que as intervenções realizadas e as etapas futuras do projeto possuem autorizações vigentes e ocorreram com a anuência dos órgãos competentes. A empresa declarou ainda que os imóveis tombados existentes no terreno serão preservados, restaurados e incorporados ao projeto, com a proposta de valorização e preservação do patrimônio histórico.
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