
Homenagem aos Garotos do Ninho m painel grafitado no muro em frente ao estádio do Maracanã
airaocrespo/Instagram
A Justiça do Rio absolve sete pessoas envolvidas no incêndio que matou dez jovens no Ninho do Urubu, CT do Flamengo, na Zona Oeste da cidade. No caso, que aconteceu em fevereiro de 2019, as vítimas tinham entre 14 e 16 anos. Os jogadores dormiam em um contêiner em um dos alojamentos. A suspeita é de que as chamas começaram após um curto-circuito em um ar-condicionado.
Os réus respondem por incêndio culposo e lesão corporal grave. Durante a formulação da denúncia, o Ministério Público ouviu mais de 30 testemunhas, entre elas policiais e bombeiros envolvidos no episódio, ex-funcionários do clube, moradores do entorno do Centro de Treinamentos e sobreviventes da tragédia.
Na decisão desta terça-feira (21), o juíz Tiago Fernandes de Barros considerou que, "à época, não havia elemento técnico ou circunstancial que pudesse levar os acusados a prever o resultado trágico e que agiram na boa fé de toda a cadeia produtiva".
O magistrado ainda disse que o caso "envolve múltiplos fatores técnicos e estruturais, o que inviabiliza a individualização de conduta culposa com relevância penal, reafirmando que o Direito Penal não pode converter complexidade sistêmica em culpa individual".
Os réus são Marcelo Maia de Sá, que era Diretor Adjunto de Patrimônio do clube, AntÔnio Márcio Garotti, ex-diretor de finanças do Flamengo, Danilo da Silva Duarte, Fabio Hilario da Silva, Weslley Gimenes e Claudia Pereira Rodrigues, profissionais vinculados a empresa que forneceu os contêineres habitacionais, e Edson Colman da Silva, sócio da empresa que fazia a manutenção nos aparelhos de ar-condicionado.
A decisão ainda cabe recurso.
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