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Light se torna concessionária com maior participação porcentual de "gato de energia"

informação foi obtida a partir do cruzamento de dados dos relatórios divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica

João Boueri
JOÃO BOUERI

09/10/2025 • 14:25 • Atualizado em 09/10/2025 • 14:25

A Light informa que regularizou 1.600 ligações clandestinas

A Light informa que regularizou 1.600 ligações clandestinas

Reprodução

Em três anos, a Light se tornou a concessionária do país com a maior participação porcentual de "gato de energia" no Brasil entre consumidores residenciais, pequenos comércios e indústrias. A informação foi obtida a partir do cruzamento de dados dos relatórios divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

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Durante a pandemia de Covid-19, em 2021, a concessionária que atua em 31 municípios do Rio de Janeiro ficou atrás das duas empresas que operam no Amazonas e Amapá. Mas, no relatório divulgado no mês passado pela Aneel, a Light ficou em primeiro lugar. Em terceiro, agora aparece a concessionária Enel Distribuição São Paulo, atrás da Amazonas Energia.

O nome adotado pela Aneel para o "gato de energia" é Perda não Técnica, que tem origem principalmente nos furtos de energia.

Na quarta-feira (8), a Polícia Civil do Rio prendeu três pessoas em flagrante pelo crime de furto de energia, no Centro. Houve confronto e um dos criminosos ficou ferido. Segundo a investigação, foi constatada ligação irregular de energia em estabelecimentos comerciais e residências da região.

Um acórdão do Tribunal de Contas da União de setembro aponta que, em 2023, o custo das perdas não técnicas foi de R$ 9 bilhões e 900 milhões. Cerca de R$ 7 bilhões foram repassados aos consumidores e o restante às concessionárias.

Parte do prejuízo é de responsabilidade das concessionárias em razão de metas regulatórias definidas pela Aneel nos contratos de concessão. Caso a perda não técnica esteja acima do porcentual definido, a distribuidora não poderá repassar todos os custos aos consumidores.

Em média, a cada R$ 100 da fatura de energia elétrica, o consumidor paga R$ 2,60 correspondentes às perdas não técnicas.

Segundo a Aneel, mais de 70% da energia injetada no sistema pela Light foi classificada como perda não técnica em 2024, quando 39,32% foi repassado aos consumidores. Já em 2021, 55,57% da energia produzida foi furtada.

Já segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica, a Amazonas Energia, a Enel-RJ e a Light estão entre as concessionárias com os maiores porcentuais de receitas irrecuperáveis. Para o presidente da associação, Marcos Madureira, além do impacto econômico, há consequências para a qualidade do fornecimento de energia elétrica. Ele também ressalta há regiões onde as distribuidoras não conseguem acessar em razão do crime organizado.

No terceiro trimestre do ano passado, a Light e a Enel Distribuição Rio de Janeiro registraram os maiores índices de endividamento entre as concessionárias de energia elétrica do país. As duas empresas somam mais de R$ 7 bilhões em dívidas líquida e são tema do Grupo de Trabalho instaurado pelo Ministério de Minas e Energia para avaliar a sustentabilidade das concessões.

Em 2024, a perda de energia teve um desempenho quase duas vezes maior do que a segunda maior hidréletrica do país, a Usina Belo Monte, no Pará.

O Tribunal de Contas da União recomendou um estudo de alternativas e mecanismos que busquem reduzir o risco de desequilíbrio dos contratos de concessão ao Ministério de Minas e Energia (MME).

Entre as recomendações, o TCU ressaltou que não encontrou atividade da Aneel para regulamentar o plano de combate de Perdas Não Técnicas de energia e destacou que os contratos da Light e da Enel vencem no ano que vem.

Em nota, a Light disse que regularizou 1.600 ligações clandestinas e normalizou cerca de 79 mil instalações irregulares em residências e comércios nos sete primeiros meses de 2025.

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