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Memorial do Holocausto no Rio é alvo de críticas por abandono

Estrutura em Botafogo tem lixo, fiação exposta e iluminação precária

PEDRO GADELHA (SOB SUPERVISÃO)

30/09/2025 • 15:00 • Atualizado em 30/09/2025 • 15:00

A reportagem tentou contato com a Associação Cultural Memorial do Holocausto, mas não teve resposta.

A reportagem tentou contato com a Associação Cultural Memorial do Holocausto, mas não teve resposta.

Reprodução

Historiadores e frequentadores do Memorial às Vítimas do Holocausto, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, lamentam o estado de abandono do local.

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Nesta terça-feira (30), a reportagem da BandNews FM esteve no espaço, que fica na Parque Yitzhak Rabin, no Mirante do Pasmado. Foi possível observar os rodapés das escadas quebrados, fiação exposta, o bebedouro sem funcionar, lixo espalhado e pontos de iluminação caídos.

A nutricionista Patrícia Menezes costuma passear com o cachorro no parque. Além das estruturas sem conservação, ela fala sobre a sensação de insegurança, principalmente quando anoitece.

A gente vê um monte de pedra soltando, pouca iluminação, agora que botaram uma lixeiras aqui, mas antes, umas duas semanas atrás, não tinha nem lixeira pra gente colocar os saquinhos dos cachorros. O bebedouro parou de funcionar. Está meio abandonado isso aqui. Quando começa a entardecer, a gente começa a ir embora. A gente fica com um pouco de medo de ficar aqui. Foi muito bom, revitalizou isso aqui, tinha estacionamento, e aos poucos foi acabando, foi sendo abandonado.

No parque, funcionava o Memorial às Vítimas do Holocausto. Inaugurado em janeiro de 2023, tinha como objetivo propor uma reflexão sobre a importância dos direitos humanos, da tolerância, da justiça e da liberdade. No entanto, no fim do ano passado, o espaço foi fechado e ainda não há uma data para ser reaberto.

O historiador da UFRJ, Francisco Teixeira, considera grave o estado de abandono do memorial.

É lamentável e extremamente grave esse esquecimento de um lugar de memória que celebra milhões de pessoas que foram mortas durante a Segunda Guerra Mundial. A permanência de guerras e genocídios no nosso tempo é largamente uma consequência do esquecimento dos genocídios anteriores. Não devemos de maneira alguma abandonar um lugar de memória.

O banner de uma exposição que aconteceu em julho de 2024 ainda está pendurado, mesmo que danificado. Por uma porta de vidro, é possível ver que do lado de dentro, a luz está acesa e ainda existe um acervo.

O historiador Rafael Mattoso cobra ações para que o local seja reaberto.

É preciso, evidentemente, que o poder público ajude a manutenção de um equipamento como esse, um equipamento que foi recentemente inaugurado, mas que a gente também tenha ali uma série de atividades educativas que tornem importantíssimo o reconhecimento desse espaço pra nossa sociedade.

O memorial era um sonho antigo do deputado Gerson Bergher, que idealizou o projeto há mais de 30 anos. Ele morreu em 2016. Dois anos depois, a Prefeitura assinou o termo de cessão de uso da área do Mirante do Pasmado.

Em nota, o município diz que a comlurb realiza a limpeza junto ao Memorial do Holocausto três vezes por semana, e que a capina e limpeza das canaletas, acontece a cada 15 dias. Já a Rioluz afirma que a responsabilidade pela iluminação pública é restrita às áreas externas e que uma vistoria será realizada para os reparos e manutenções, caso seja necessário.

A reportagem tentou contato com a Associação Cultural Memorial do Holocausto, mas não teve resposta.

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