
Em março, uma pessoa morreu quando parte de um prédio na esquina da Rua Senador Pompeu com a Rua Visconde da Gávea desabou
Reprodução
Comerciantes e moradores da Rua Ramalho Ortigão, no Centro do Rio, denunciam o estado de abandono de prédios históricos. No imóvel ao lado do número 24, há apenas a fachada. Há raízes crescendo na parede, grades enferrujadas e reboco descascando.
As lojas embaixo foram fechadas há anos, e a parte de dentro do local está vazia. O abandono pelos proprietários é registrado há pelo menos dez anos, segundo os relatos.
Uma pessoa que passa todos os dias pela rua e preferiu não ser identificada conta que fica com medo do risco de desabamento.
Semanalmente caem blocos enormes, as pessoas ficam gritando, pedindo para tirar, mas semanalmente passa. Isso aí é um problema crônico. Vem fiscal da Prefeitura, põe uma cordinha aí para o pessoal não passar, mas a cordinha não adianta de nada e passam crianças, estudantes, turistas e uma hora vai matar. E o risco é muito grande e eminente de cair.
O vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, Carlos Abreu, ressalta o perigo da situação.
O imóvel ao lado também está vazio, com a fachada deteriorada. Outros prédios na rua, que tem recebido cada vez menos visitantes, também estão com má conservação. A Prefeitura afirmou que fez um levantamento técnico na via, mas os dados ainda estão em análise.
No entanto, a situação acontece em milhares outros prédios no Centro. O professor Thiago Rigoti saiu do Espírito Santo para ver a Lady Gaga no Rio e percebeu o contraste da região com outras áreas da cidade.
Em março, uma pessoa morreu quando parte de um prédio na esquina da Rua Senador Pompeu com a Rua Visconde da Gávea desabou. Um ano antes, um casarão abandonado também desmoronou na Praça da República.
Há cerca de um mês, a Prefeitura deu início a uma força-tarefa e já fiscalizou mais de 1.700 imóveis na região. A ideia é analisar até 6 mil prédios.
O prefeito Eduardo Paes diz que, depois disso, pode desapropriar os locais e fazer um financiamento para que eles sejam recuperados pela iniciativa privada.
Ao mesmo tempo, 20 prédios da união estão em ruínas ou em estado precário no Complexo do Itamaraty e no entorno, também no Centro. Perto deles, aconteceu nessa semana o encontro de chanceleres do BRICS. O levantamento é do próprio Ministério das Relaçoes Exteriores, feito a pedido do presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio, o vereador Pedro Duarte. A pasta disse que analisa a situação com o apoio da Prefeitura.
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