
LAM foi uma das primeiras vozes da BandNews FM Rio, em 2005
BandNews FM
Morreu nesta quarta-feira (30), aos 70 anos, o jornalista, escritor e colunista da BandNews FM Luiz Antonio Mello. Importante nome do jornalismo fluminense e brasileiro, LAM, como era conhecido, fez parte da equipe responsável pela implementação da Rádio BandNews FM no Rio de Janeiro, sendo uma das primeiras vozes da emissora, em 2005. Atualmente, ele comandava a coluna #Hashtag Cultural, que ia ao ar semanalmente em 90.3 FM.
Luiz Antonio Mello começou a carreira em 1971, no Jornal de Icaraí, e entrou no mundo do rádio no ano seguinte, quando passou a integrar a equipe da Rádio Federal.
No início da década de 1980, passou a desenvolver o projeto da Rádio Fluminense FM, a Maldita, da qual foi cofundador. Na emissora, responsável por revelar grandes nomes da música brasileira, LAM marcou seu nome na história da comunicação no país.
O vocalista da banda Biquini Cavadão, Bruno Gouveia, destaca o legado deixado por Luiz Antonio Mello e a importância dele para a música brasileira.
Muitas bandas surgiram na Rádio Fluminense, uma rádio FM de Niterói que abriu espaço para Paralamas, para Legião, para Kid Abelha, para Barão Vermelho, para Biquini, e se a Rádio Fluminense foi a mãe, com certeza Luiz Antonio foi esse paizão. Obrigado, querido, por tudo! Gratidão eterna.
A trajetória de LAM também é ressaltada com carinho pelo cantor Evandro Mesquita, da banda Blitz.
Bom, Luiz Antônio foi um cara muito importante na cultura contemporânea, dando voz e vez para várias bandas que vinham do underground terem acesso a gravadoras, a Rádio Fluminense, a maldita, ajudou várias bandas de garagem. Ele foi guerreiro, descansa em paz, em alto e bom som. Valeu, Luz Antônio!
A origem da Rádio Fluminense FM foi contada por Luiz no livro "A Onda Maldita". A história da emissora também é retratada no filme "Aumenta que é Rock'n Roll", lançado em 2023.
O legado de Luiz Antonio Mello e a importância do jornalista no cenário da música brasileira são ressaltados pelo crítico musical Arthur Dapieve, que descreve LAM como um batalhador da causa do rock nacional.
O Luiz Antônio foi um batalhador dessa causa, dessa causa do rock brasileiro, do rock, da importância do rock para a geração dele, para a nossa geração, e levou isso adiante o tempo todo, esse amor enorme que ele teve pela Fluminense FM, inclusive escrevendo um livro que é uma referência sobre o assunto. É um sujeito que deixa um vazio ali, uma falta, uma morte repentina, uma morte para a qual a gente não estava absolutamente preparado.
Apaixonado por rock e por jornalismo, Luiz Antonio Mello tinha uma visão musical única. O músico e jornalista Luiz Felipe Carneiro conta que, em 1985, LAM foi convidado para atuar como uma espécie de consultor na primeira edição do Rock in Rio na Cidade Maravilhosa.
O Luiz Antônio Mello era uma enciclopédia do rock, de um modo geral, tanto que quando Roberto Medina pensou no Rock in Rio, a primeira edição em 1985, a primeira pessoa que ele chamou para conversar com ele foi o Luiz Antonio Mello, que acabou sendo uma espécie de consultor informal daquele festival, daquele edição.
Com um jeito único, Luiz Antonio Mello fez uma legião de amigos e era visto como uma pessoa generosa, dedicada e atenciosa.
Nas redes sociais, o cantor e compositor Lobão lamentou a morte de LAM e destacou o importante legado deixado pelo amigo.
Estou aqui, assim, devastado. Eu já postei a notícia da morte do meu irmão, do meu amigo, do meu herói, do Luiz Antonio Mello, LAM, um dos pais fundadores do rock brasileiro dos anos 1980. A Rádio Fluminense, a maldita, foi o elaborador, diretor, idealizador, sabe, é uma pessoa maravilhosa, uma pessoa maravilhosa.
LAM teve passagens por outros veículos, como Estadão, Jornal do Brasil, Rede Manchete, Pasquim, Opinião.
Na BandNews FM, era o responsável pela coluna #Hashtag Cultural até os dias atuais. Em uma das últimas edições do programa, em março, Luiz falou sobre os quarenta anos da banda Biquini Cavadão.
Em 2021, Luiz Antonio Mello fundou a Rádio LAM, mídia online com uma programação musical que reúne cerca de 3 mil músicas, com preferência a nomes alternativos de todos os tempos.
Além do livro "A Onda Maldita", LAM também é o autor das obras "Nichteroy, Essa Doida Balzaca"; "Torpedos de Itaipu"; "Manual de Sobrevivência na Selva do Jornalismo"; "Jornalismo na Prática" e "5 e 15, Romance Atonal Beta".
A Prefeitura de Niterói decretou luto oficial de três dias pela morte do jornalista. Em nota, o Município lamentou a notícia e afirmou que Niterói, o rock e o jornalismo estão de luto com a sua partida.
O velório de Luiz Antonio Mello está marcado para esta quinta-feira (1º).
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