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MP do Rio revela torturas do Comando Vermelho em comunidades

Denúncia do Ministério Público do Rio contra 69 integrantes da facção detalha uso de tortura, controle por aplicativos de mensagens e estrutura hierárquica liderada por “Doca”, chefe do tráfico em várias comunidades da Zona Norte.

João Boueri
JOÃO BOUERI

30/10/2025 • 19:24 • Atualizado em 30/10/2025 • 19:24

Homem sendo torturado por criminosos do Comando Vermelho

Homem sendo torturado por criminosos do Comando Vermelho

Reprodução

A denúncia do Ministério Público do Rio contra 69 criminosos ligados ao Comando Vermelho aponta que a facção utiliza práticas de tortura contra moradores e rivais de outras organizações criminosas.

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A informação consta no documento utilizado na investigação que deu início a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, na terça-feira (27).

Com 121 mortos - incluindo quatro policiais - e mais de 80 presos, a ação se tornou a maior já realizada pelo Governo do Rio.

A denúncia do Ministério Público de mais de 200 páginas mostra mensagens e imagens trocadas entre criminosos e que foram interceptados através da quebra do sigilo dos dados telefônicos

Em um dos vídeos revelados, um homem está amordaçado e algemado e é torturado até confessar um crime.

Entre os principais denunciados pelo órgão estadual está o chefe do Comando Vermelho, Edgar Alves de Andrade. Conhecido como "Doca" ou "Urso", o criminoso é a principal referência da facção criminosa nos complexos do Alemão e da Penha e nas comunidades Gardênia Azul, César Maia, Juramento e Quitungo - muitas conquistadas da milícia, como Gardênia e César Maia.

Além disso, a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio identificaram a participação de Pedro Paulo Guedes, conhecido como "Pedro Bala", no primeiro escalão do Comando Vermelho no Complexo da Penha.

A investigação também aponta que o criminoso conhecido como "Gadernal" e identificado como Carlos Costa Neves e o traficante Washington Cesar Braga da Silva, vulgo "síndico da Penha" são os dois homens de maior confiança de Doca. Eles ocupam a função de gerente geral do Complexo da Penha.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os três participam de grupos de WhatsApp para emitir ordens sobre a comercialização de drogas, escalas de plantões nos pontos de comercialização de drogas - as chamadas "bocas de fumo" -, nos pontos de monitoramento e nos pontos de contenção.

As mensagens interceptadas durante a investigação também revelaram que o trio ligado ao Comando Vermelho troca informações sobre veículos roubados, monitoramento de viaturas policiais, contabilidade de venda de drogas e até execução de criminosos rivais e pessoas que contrariam os interesses da facção criminosa.

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