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MP investiga desapropriação de prédio em Botafogo feita pela Prefeitura

Inquérito do MPRJ apura decreto da gestão de Eduardo Paes sobre imóvel na Rua Barão de Itambi contestado por empresas e moradores

Daniel Henrique
DANIEL HENRIQUE

05/03/2026 • 11:31 • Atualizado em 05/03/2026 • 11:31

Prefeitura diz não ter informações sobre declaração de utilidade de prédio que vai ser desapropriado em Botafogo

Prefeitura diz não ter informações sobre declaração de utilidade de prédio que vai ser desapropriado em Botafogo

Reprodução

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano afirma que não tem informações sobre a declaração de utilidade e de interesse público do imóvel na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, que foi desapropriado pela Prefeitura em novembro do ano passado.

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A manifestação aconteceu em janeiro, após uma notificação do Ministério Público do Rio, que instaurou inquérito para apurar o processo.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, já admitiu mais de uma vez que a desapropriação foi um pleito da Fundação Getúlio Vargas, que já possui um campus na frente e outro nos fundos do prédio em disputa. Segundo a FGV, o objetivo é criar um grande centro de tecnologia e inteligência artificial no local.

A 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Urbanismo do MP também notificou a Procuradoria Geral do Município a se manifestar. O órgão informou, também em janeiro, que não foram produzidas manifestações jurídicas relativas ao decreto e que não há processo administrativo na PGM sobre a desapropriação do imóvel.

A BandNews FM questionou a Procuradoria se há respaldo legal para a medida, mas não houve resposta.

O prédio pertence ao Grupo Sendas, que entrou com uma ação na Justiça contra a medida. O presidente da empresa, Arthur Sendas Filho, critica a falta de justificativas da Prefeitura pela desapropriação.

"O que para mim está claro é que é um decreto completamente ilegal. Porque para que haja a desapropriação, é necessário primeiro um processo administrativo. E a Prefeitura mesmo, em janeiro, já afirmou, a Procuradoria afirmou, que não havia nenhum processo administrativo. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano afirmou que não existia nenhum estudo. Quer dizer, meses depois do decreto não existia nada."

O edifício é alugado ao Grupo Pão de Açúcar, que também entrou na Justiça alegando prejuízo de R$ 12 milhões, já que estava em processo de transição do ponto comercial ao mercado Mundial, que foi travado pela desapropriação, e de mais R$ 2 milhões que foram pagos à própria Prefeitura em 2024 e 2025, referentes a mais-valia por modificações no prédio, totalizando R$ 14 milhões.

No último fim de semana, moradores realizaram um protesto contra a medida do Poder Executivo.

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