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Mudanças nas regras para obtenção de visto dos Estados Unidos geram dúvidas em turistas

Apenas nos sete primeiros meses deste ano, mais de um milhão de brasileiros já desembarcaram em território estadunidense

Guilherme Faria
GUILHERME FARIA

29/09/2025 • 15:46 • Atualizado em 29/09/2025 • 15:46

Entre as novidades, está a obrigatoriedade de entrevistas presenciais para quase todos os visitantes

Entre as novidades, está a obrigatoriedade de entrevistas presenciais para quase todos os visitantes

Reprodução

Conhecer a Disney, passear pela Times Square ou ver de perto a Estátua da Liberdade... Seja para conhecer alguns dos pontos turísticos mais famosos do mundo ou para vivenciar por alguns dias o "American Way of Life", muita gente sonha em viajar para os Estados Unidos.

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Dados preliminares do Departamento de Comércio do país norte-americano indicam que, apenas nos sete primeiros meses deste ano, mais de um milhão de brasileiros já desembarcaram em território estadunidense. O número é quase 5% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Apesar dos bons índices, o anúncio recente de mudanças nos procedimentos para obtenção do visto de entrada no país tem deixado muita gente preocupada.

Entre as novidades, está a obrigatoriedade de entrevistas presenciais para quase todos os visitantes. Além disso, candidatos a vistos em determinadas categorias, como estudantes, devem deixar as redes sociais abertas para consultas dos agentes de imigração. Fazem parte deste aspecto candidatos a visto nas categorias F (estudantes acadêmicos e de idiomas), M (candidatos a estudos técnicos ou vocacionais) e J (pessoas que desejam realizar intercâmbios culturais e acadêmicos).

A advogada de imigração Larissa Salvador explica que o governo norte-americano trata as mudanças como uma forma de garantir a segurança nacional.

O governo tem focado bastante na ideia de que as motivações são para reforçar a segurança nacional, que eles têm um foco em cuidar de quem está entrando no país. Também existe a questão da contenção de abusos no sistema de vistos, por exemplo, visto prolongado sem recíproca supervisão ou permanência definida em certas categorias, como os estudantes, tem sido revisados. Até mesmo quando a gente olha para a situação dos vistos de estudante hoje, um dos critérios é que a pessoa tenha suas redes sociais abertas, justamente para haver essa checagem, do que eles acreditam serem ideologias contrárias ao que os Estados Unidos têm hoje.

Para evitar problemas na hora de tirar o visto norte-americano, a fonoaudióloga Bárbara Valentim contratou uma empresa de consultoria para ajudá-la no processo. Agora, ela se prepara para a entrevista com o oficial de imigração, marcada para esta semana.

O meu processo de pedido de visto até agora foi super tranquilo, eu contratei uma empresa para me assessorar, então ela vai ajudando em cada etapa, ela vai trazendo os documentos traduzidos e me mandando todas as etapas para fazer o pagamento e as confirmações. Eu estou me preparando respondendo às perguntas básicas, que a maioria que tem experiência fala, então já vou treinando, como a fala curta e objetiva. O processo em si está sendo tranquilo, por conta dessa empresa.

Para além dos pontos turísticos, os Estados Unidos vão receber, no ano que vem, a Copa do Mundo, junto a México e Canadá, o que tende a aumentar ainda mais a busca pelo visto.

Para o CEO da OnSet Consultoria, empresa especializada em vistos e processos de imigração para os Estados Unidos, Guilherme Vieira, é importante que os turistas busquem iniciar o processo para emissão do visto com antecedência em relação à data da viagem.

A Copa do Mundo parece longe, mas, para fazer o pedido de visto, já estamos quase atrasados. Por quê? Porque, cada vez mais, chegando próximo à competição, aumenta a quantidade de pessoas pedindo visto e, consequentemente a fila de espera. Então, para quem planeja ir aos EUA, a orientação é fazer o visto o mais breve possível. Não deixe para depois o que pode ser feito agora, até porque, vale lembrar, o visto tem validade de dez anos.

As mudanças anunciadas pelo governo de Donald Trump atingiram, também, o campo das finanças. Um grupo bastante afetado pelas novidades vai ser o de profissionais com alta qualificação, como cientistas e engenheiros, que planejam trabalhar nos Estados Unidos. A emissão do visto H1-B, destinado a este perfil de candidato, que é patrocinado por um empregador, terá cobrança de taxa superior a R$ 500 mil. A regra passará a valer no próximo "ciclo de loteria", em março do ano que vem.

Apesar do aumento expressivo no valor da taxa, na análise da diretora comercial da D4U Immigration, Eduarda Costa, a medida não surpreende.

É importante que a gente diga que, embora essa taxa seja bastante alta, ela não nos surpreende, porque as preocupações, sobretudo em relação a fraudes no programa H1-B, são bastante latentes e foram avisadas com bastante antecedência. Por isso, há muito tempo nós estamos recomendando que pessoas que têm a intenção de vir para os Estados Unidos, sobretudo a trabalho, não contem eventualmente com o patrocínio de um empregador, não somente por conta de uma proclamação presidencial, mas principalmente por conta da instabilidade da obtenção de um visto de não-imigrante

Além disso, em agosto, os Estados Unidos chegaram a anunciar a criação de uma nova taxa de US$ 250 para emissão dos vistos em geral, o que deixaria o documento mais de duas vezes mais caro.

No entanto, a cobrança da tarifa, que entraria em vigor na próxima quarta-feira (1°), foi suspensa temporariamente. O anúncio foi feito na semana passada por uma associação que representa o setor de turismo no país norte-americano.

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