
Bosque da Barra seco
Filipe Macon/BTN/Band News FM
Novas imagens do Parque Natural Municipal Bosque da Barra, na Zona Oeste do Rio, mostram os lagos do local mais secos. O flagrante foi feito pelo helicóptero da BandNews FM na manhã desta quinta-feira (27).
O último relatório do Ministério Público apontou que o ressecamento dos lagos do local foi causado pelo rebaixamento do lençol freático durante as obras da Estação de Tratamento de Esgoto da Barra da Tijuca. O órgão estadual também destacou a estiagem registrada no município desde o ano passado.
A BandNews FM teve acesso ao relatório, que aponta que a concessionária Iguá, responsável pelas intervenções na Estação de Tratamento, sabia, mas omitiu a execução de rebaixamento do lençol freático nos materiais enviados para o Instituto Estadual do Ambiente, que autorizou os serviços.
Segundo a gestão do Bosque da Barra, há risco iminente de perder todos os lagos.
Já o Inea, segundo o MP, classificou de forma errada a obra como de baixo impacto ambiental. Além disso, para o órgão, o instituto não reconheceu a "clara necessidade de rebaixamento de lençol freático para as intervenções previstas no projeto".
A conclusão do MP é que o Inea não foi "capaz de prever e cobrar medidas para mitigação dos possíveis danos ambientais causados pela obra" no terreno vizinho ao Parque Natural Municipal Bosque da Barra. O inquérito do órgão estadual foi instaurado no ano passado.
A seca afeta a fauna local, como espécies ameaçadas de extinção. Pelo menos dois jacarés-de-papo-amarelo foram resgatados em condições de subnutrição.
Cerca de 90% dos indivíduos de espécies botânicas morreram. Além disso, praticamente 100% dos peixes da Área Norte do Bosque da Barra perderam a vida.
Um parecer da pasta aponta que não há informações sobre o volume de água bombeado do lençol freático e descartado pela concessionária Igua, principalmente entre junho e agosto. No documento, a secretaria afirma que a empresa também não sabia informar.
O MP ressaltou que não é adequado o abastecimento do lençol freático com água proveniente do sistema de abastecimento público, como o executado pela Igua, com água clorada, devido aos possíveis impactos das características físico e/ou químicas da água na biota local, podendo acarretar em novos danos ambientais.
Em nota, a Igua disse que o relatório do Ministério Público ainda não é definitivo. A concessionária afirmou que vai apresentar a resposta ao órgão demonstrando que não há correlação entre a seca sazonal nos lagos artificiais do Bosque da Barra e a execução das obras em questão. A empresa reafirmou que cumpriu todas os ritos e exigências dos órgãos competentes para a execução das obras.
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