
Calor extremo no Rio de Janeiro
Tânia Rêgo/Agência Brasil
A qualidade de vida e a eficiência das estruturas e serviços urbanos são colocadas em risco quando se encontram sob situação de estresse térmico. A conclusão é do estudo 'Desafios Urbanos em Tempos de Calor Extremo', da Columbia Global Center Rio de Janeiro, que analisa o impacto das mudanças climáticas na ocorrência das ondas de calor na cidade. A publicação destaca que o Rio possui condições geográficas e meteorológicas específicas que o fazem naturalmente sensível a eventos climáticos, como alagamentos, deslizamentos de terra e ondas de calor. A topografia acidentada da cidade, combinada com uma alta densidade populacional e um elevado percentual de áreas cobertas por asfalto e concreto favorecem a ocorrência das ilhas de calor. Além disso, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, de 2023, mostra que o aumento de temperatura nas cidades tem impactos diretos na população, com aumento da mortalidade associada ao calor extremo, capaz de agravar até problemas de saúde mental, assim como doenças transmitidas por vetores. Com isso, o estudo cita a importância de políticas públicas para enfrentar os riscos, destacando o monitoramento e implementação de protocolos recentemente pela Prefeitura do Rio. O chefe-executivo do Centro de Operações Rio, Marcus Belchior, fala sobre o calor enfrentado pela cidade durante o mês de fevereiro, apontando o pioneirismo do município ao estabelecer os níveis de calor.
Esse fevereiro se comportou completamente diferente de outros fevereiros na nossa base de dados. É um fevereiro muito quente, muito seco. Eu destaco aqui que a cidade do Rio de Janeiro foi pioneira na construção de um protocolo de calor. A cidade do Rio é a única cidade brasileira que tem esse protocolo, que a gente definiu esse protocolo em cinco níveis, com ações claras de comunicação, de adaptação climática e até mesmo de restrição, caso necessário. É importante que os cidadãos turistas que nos visitam fiquem informados, é um momento de muita atenção e cuidado com a saúde.
A publicação também aponta a importância de áreas verdes como zonas de frescor, que reduzem a temperatura superficial do entorno. Como exemplo, as temperaturas médias durante o verão nos bairros de São Cristóvão e Irajá, onde existe a alta densidade de construções e avenidas impermeáveis, podem atingir mais de dez graus Celsius acima dos registros no Alto da Boa Vista e no Jardim Botânico, localizados próximo ao maciço da Tijuca. O estudo conclui que soluções arquitetônicas e de planejamento urbano, aliadas ao conhecimento científico, são essenciais para o enfrentamento do aumento da temperatura.
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