
Sacos de farinha armazenados pelos criminosos
Reprodução
O esquema criminoso conhecido como “taxa da farinha”, que obriga comerciantes a comprar alimentos e insumos apenas de fornecedores ligados ao tráfico de drogas e à milícia, é foco de operação da polícia civil nesta quarta-feira (03).
A denúncia sobre a criação dessa taxa foi revelada em primeira mão pela BandNews FM no ano passado. As investigações apontam que pequenos e médios comerciantes eram coagidos a adquirir mercadorias em quantidades superiores às necessidades dos estabelecimentos e por preços acima dos praticados no mercado, sob ameaça de represálias, prejuízos financeiros e até fechamento dos negócios.
Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais, a Draco, cumprem mandados de busca e apreensão em endereços das zonas Oeste e Norte da capital.
Segundo a Polícia Civil, o esquema atingia principalmente comerciantes da Baixada Fluminense e da Zona Oeste do Rio. O grupo criminoso utilizava intimidação, coação e controle territorial para impor um monopólio ilegal no abastecimento de alimentos em áreas dominadas por organizações criminosas.
As investigações também identificaram uma estrutura empresarial usada para dar aparência de legalidade às atividades ilícitas, permitindo a distribuição de mercadorias e a movimentação financeira dos recursos obtidos com o esquema.
De acordo com a Draco, a exploração econômica dos comerciantes faz parte de uma estratégia mais ampla de domínio territorial. Organizações ligadas ao tráfico e à milícia passaram a ampliar a influência sobre atividades comerciais legítimas para fortalecer o poder econômico e aumentar o controle sobre determinadas regiões do estado.
O objetivo da operação é apreender documentos, registros contábeis, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam aprofundar o mapeamento da organização criminosa.
A operação desta quarta-feira tem origem em uma série de denúncias reveladas pela BandNews FM nos últimos meses. Em maio do ano passado, a reportagem mostrou com exclusividade que milicianos passaram a controlar a venda de farinha de trigo em comunidades da Zona Oeste, obrigando comerciantes a comprar o produto por preços mais altos.
Pouco depois, a BandNews FM revelou que o modelo também havia sido adotado pelo tráfico de drogas. Em comunidades da Zona Norte, criminosos montaram uma espécie de central de distribuição para controlar a venda de farinha e outros insumos, com pedidos feitos diretamente aos fornecedores indicados pela facção e entregas organizadas dentro das áreas dominadas pelo grupo.
Ainda foi revelado que o padeiro Rafael Oliveira Braga, de 43 anos, assassinado em março em Paciência, na Zona Oeste, foi alvo de milicianos por se recusar a aderir ao esquema. A conclusão foi apontada pela Delegacia de Homicídios. Segundo as investigações, ele não aceitava comprar os produtos impostos pelos criminosos porque os preços eram mais altos e comprometiam o lucro da padaria.
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