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PF investiga familiares de Bruno Henrique por aposta em cartão no jogo contra o Santos

Segundo o inquérito, os parentes registraram as apostas um dia antes do jogo, em um período curto de tempo

Daniel Henrique
DANIEL HENRIQUE

17/04/2025 • 13:58 • Atualizado em 17/04/2025 • 13:58

Bruno Henrique, jogador do Flamengo

Bruno Henrique, jogador do Flamengo

Marcelo Cortes / CRF

O irmão, a cunhada e uma prima do jogador Bruno Henrique, do Flamengo, apostaram juntos quase R$ 1.650 para receberem um retorno de cerca de R$ 5 mil caso o atacante recebesse um cartão amarelo na partida contra o Santos, em novembro de 2023.

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As informações foram relatadas por três casas de apostas que compartilharam os dados com a Polícia Federal. Segundo o inquérito, os parentes registraram as apostas um dia antes do jogo, em um período curto de tempo.

Uma hora depois, a cunhada do jogador ainda criou uma conta nova em um site para apostar. Segundo o inquérito, o comportamento de realizar uma aposta de forma tão direcionada, logo após se cadastrar na plataforma, é um dos critérios para identificar a movimentação como suspeita.

As investigações ainda identificaram um outro núcleo de apostadores, composto por seis pessoas. Um deles é amigo do irmão de Bruno Henrique, identificado como Claudinei Bassan. O irmão e a esposa dele fazem parte do grupo. Os outros três integrantes seguiam e eram seguidos por Claudinei em uma rede social, além de serem envolvidos com o meio do futebol, já que jogaram em times pequenos.

Somados, o grupo apostou R$ 4 mil no mesmo acontecimento do jogo, com um retorno previsto de pouco mais de R$ 12 mil.

Conversas entre Bruno Henrique e o irmão obtidas pela investigação mostram que dois meses antes da partida contra o Santos, Wander Nunes Pinto Junior perguntou ao jogador quando ele receberia o terceiro cartão amarelo, para forçar uma suspensão no Campeonato Brasileiro. O atacante aponta que seria no jogo contra o time paulista. Wander diz que vai guardar dinheiro, para fazer o 'investimento'.

Ainda antes da partida, em uma outra conversa, Bruno Henrique pergunta se o irmão poderia receber um Pix no valor de R$ 10 mil, mas muda de ideia por eles serem familiares próximos. Wander pergunta o motivo da transferência e o jogador responde que seria para um 'negócio de apostas'.

O irmão se interessa, alegando que está precisando de dinheiro, mas Bruno diz que não daria para ele, pois teria que arcar com R$ 10 mil por fim de semana para participar do esquema. Wander questiona se a aposta teria ligação com vitória de algum time ou cartão para algum jogador, mas o atacante diz que é um esquema envolvendo apostas em cavalos.

Na mesma conversa, o irmão pergunta ao jogador se ele poderia levar um cartão na partida que seria disputada no dia, contra o Corinthians, mas Bruno disse que não seria possível.

Na véspera do jogo contra o Santos, Bruno pergunta se o irmão lembra do que tinha perguntado há um tempo atrás. Eles conversam por ligação.

Um mês após a partida, Wander pede R$ 4 mil emprestado para pagar a pensão e o cartão de crédito. Ele conta ao irmão que a dica que deu sobre a partida contra o Santos ainda não tinha sido paga. Wander diz que apostou R$ 3 mil para ganhar R$ 12 mil, mas a plataforma bloqueou o saque do valor por suspeita.

Bruno Henrique transfere o dinheiro, mas pede que o valor seja devolvido assim que a plataforma de apostas liberar o pagamento.

As investigações também tiveram acesso a uma conversa entre Wander, irmão do jogador, e Claudinei, que fazia parte do segundo núcleo de apostadores. Um dia após a partida contra o Santos, Wander pergunta se o pagamento de uma das plataformas de aposta já tinha sido feito. Claudinei diz que não e eles estranham a situação. Eles ainda comentam a maneira como ganharam a aposta, já que Bruno Henrique levou o cartão amarelo somente aos 50 minutos do segundo tempo, e dizem que em outras situações da partida o jogador já poderia ter sido punido pelo árbitro.

Bruno Henrique, o irmão e todos os outros envolvidos nos dois núcleos de apostas foram indiciados pela Polícia Federal. Mesmo após o indiciamento, Bruno Henrique entrou em campo contra o Juventude nesta quarta-feira (17).

A reportagem tenta contato com a defesa dos indiciados.

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