
A pesquisa também aponta que mulheres pardas e negras estão entre as mais afetadas
Edmar Chaperman/Funasa
Os plásticos representam cerca de 45% do material recolhido por catadores que não é reciclado e acaba destinado a aterros, lixões ou ao meio ambiente. O dado é da segunda edição da pesquisa Catadores por Menos Plástico, do Instituto de Direito Coletivo (IDC) em parceria com a Universidade Federal Fluminense.
O estudo acompanhou, entre julho e dezembro de 2025, o trabalho de 20 associações e cooperativas de catadores na capital e no interior do estado do Rio de Janeiro. Segundo a pesquisa, os chamados rejeitos plásticos são materiais que não têm mercado de compra ou não podem ser aproveitados na reciclagem.
Em termos econômicos, as associações deixam de arrecadar entre cerca de R$ 1.180 e R$ 3.770 por mês com esse material descartado. A presidente do IDC, Tatiana Bastos, afirma que quase dois dias de trabalho mensal dos catadores são perdidos com a coleta de plásticos sem valor de mercado.
A pesquisa também aponta que mulheres pardas e negras estão entre as mais afetadas. De acordo com a catadora Tailana da Costa, da cooperativa Pinheiral em Ação, o excesso de rejeitos gera retrabalho e acúmulo de material que acaba sendo enviado para aterros.
O levantamento identificou quase 200 empresas responsáveis por grande parte das embalagens plásticas encontradas entre os rejeitos, com repetição de poucos grupos empresariais. Para o IDC, os dados reforçam a necessidade de maior responsabilização da indústria e de combate ao chamado greenwashing.
A primeira edição do estudo serviu de base para um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio, que propõe a eliminação gradual de embalagens não recicláveis, regras mais rígidas de rotulagem e pagamento direto aos catadores pelos serviços ambientais prestados.
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