
Em nota, a Polícia Militar informou que não foi notificada da investigação
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Os policiais que trocavam mensagens com um dos chefes do Comando Vermelho no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, continuam trabalhando normalmente. O caso foi descoberto a partir de uma investigação da Polícia Federal da Bahia e revelado pelo jornal O Globo.
Segundo a apuração, Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, trocou mensagens com comandantes de UPPs do complexo de novembro de 2022 a, pelo menos, novembro de 2023, quando 28 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal pelo tráfico de 43 mil armas do Paraguai para facções criminosas do Brasil. Fhilip é responsável pela compra das armas usadas pelo Comando Vermelho no Rio e está foragido.
Em uma das mensagens, um comandante da UPP Fazendinha avisa que vai ser transferido para a UPP Manguinhos, mas que o novo responsável pelo local era "gente boa".
Ele ainda diz que a "gestão" do traficante "é boa" e que seria ruim defender o criminoso, apenas por causa de roubos na Rua Canitar.
O traficante ainda trocou mensagens com o novo comandante, pedindo que evite policiamento em uma região específica. O policial respondeu então que ia "ver isso aí"
Na época da troca das mensagens, o comando da Coordenaria de Polícia Pacificadora (CPP) era da Coronel Priscila Azevedo Barletta.
De acordo com fontes da BandNews FM, os policiais envolvidos são o capitão Rodrigo Salvador de Moraes e o major Rafael Lopes Barbeiro.
O porta-voz da Polícia Militar, major Maicon Pereira, afirma que os agentes podem ser punidos, após a corporação ter acesso às investigações.
A Polícia Militar não teve acesso a esses autos. Houve solicitação à Polícia Federal da cópia desses autos que mencionam os policiais militares, para que a gente possa ter ciência do que de fato ocorreu, e a nossa Corregedoria possa adotar as medidas cabíveis em relação a isso. E se for o caso, punir exemplarmente esses policiais militares, caso isso seja comprovado.
Os policiais militares não são investigados diretamente pela Polícia Federal da Bahia, mas são citados no inquérito.
Ainda de acordo com a investigação, as mensagens sugerem o pagamento de propina aos policiais para que não interferissem nas atividades criminosas.
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