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Processo criminal contra deputada Lucinha por envolvimento com milícia segue suspenso

Justiça do Rio ainda não define data para retomada do caso envolvendo a política

João Boueri
JOÃO BOUERI

26/11/2025 • 19:08 • Atualizado em 26/11/2025 • 19:08

Deputada estadual Lucinha

Deputada estadual Lucinha

Divulgação/Alerj

O processo criminal contra a deputada estadual Lucinha por envolvimento com milícias segue suspenso pela Justiça do Rio sem data para ser retomado. Sete desembargadores concordaram com a relatora desembargadora Maria Augusta Vaz, que recebeu a denúncia do Ministério Público contra a política.

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Mas, os desembargadores Cristina Tereza Gaulia, Maria Angélica Guimarães Guerra Guedes e Joaquim Domingos de Almeida Neto pediram vista do processo para analisar melhor as informações contra a deputada estadual.

Além dos magistrados que pediram mais tempo, 11 desembargadores e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, ainda não votaram.

Segundo o MP, Lucinha e a assessora Ariane Afonso Lima deram informações privilegiadas aos milicianos ligados ao Bonde do Zinho, chefiado por Luís Antônio da Silva Braga, sobre as agendas do prefeito do Rio, Eduardo Paes, na Zona Oeste. Com isso, os milicianos conseguiam retirar os integrantes do grupo paramilitar da região.

Se condenadas por formação de milícia privada, Lucinha e Ariane podem pegar de 5 a 10 anos de prisão, além da perda da função pública.

Além disso, a deputada teria tentado interferir junto ao prefeito e outras autoridades municipais para que fosse mantida a chamada "Brecha da P5" no transporte público alternativo, para que os milicianos pudessem explorar o serviço e aumentar a arrecadação das vans.

As investigações do MP apontaram também que entre junho de 2021 e março de 2022, Lucinha e a ex-assessora mantiveram encontros frequentes com as principais lideranças do grupo miliciano, entre eles Zinho.

Ainda segundo o órgão, os encontros aconteciam em média duas vezes por mês, para estabelecer as linhas da interferência que seriam exercidas na Assembleia Legislativa do Rio.

Em depoimento, Zinho confirmou que a interlocutora flagrada em mensagens articulando politicamente em nome da quadrilha é a parlamentar. Segundo as investigações, ela era chamada de madrinha pelos criminosos.

Em dezembro de 2023, durante uma operação da Polícia Federal, Lucinha chegou a ser afastada pela Justiça do Rio do cargo de deputada, mas foi recolocada de volta pelos próprios deputados estaduais.

No ano passado, o Conselho de Ética da Alerj decidiu arquivar o processo que poderia levar à cassação do mandato da deputada. Os integrantes da comissão entenderam que não houve quebra do decoro parlamentar e que não havia provas suficientes.

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