
o há previsão para o fim da paralisação das atividades dos professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Agência Brasil
Não há previsão para o fim da paralisação das atividades dos professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A greve teve início nesta quarta-feira (25) após 10 anos sem interrupção das aulas. Segundo a Associação de Docentes da UERJ, a categoria cobra recomposição salarial e do orçamento da universidade. De acordo com os representantes da classe, houve uma tentativa de diálogo mal sucedida com o Governo do Estado, na semana passada.
Os professores cobram o pagamento de duas parcelas da recomposição salarial que foi acordada em 2021. Ainda segundo os profissionais, o governo realizou o primeiro pagamento em 2022, mas faltam os valores de 2023 e 2024. Os professores da UERJ exigem ainda a manutenção do adicional por tempo de serviço, além de um acréscimo salarial dado a cada três anos.
O vice-presidente da Associação de Docentes, Leonardo Kaplan, afirma que o orçamento da universidade tem sido insuficiente para assegurar as necessidades dos professores.
Embora seja uma das melhores universidades do país, referência em muitas áreas, o orçamento da Uerj tem sido insuficiente para assegurar muitas das necessidades dos professores, servidores técnico-administrativos e dos estudantes e em termos da infraestrutura. Por isso, tratamos da necessidade de recomposição do orçamento da universidade. Em 2025 foram executados cerca de R$ 2 bilhões, no entanto, a Constituição estadual prevê que sejam destinados 6% da receita corrente líquida para a Uerj. Em 2025, a receita líquida foi estimada em R$ 107 bilhões, o que significaria mais de R$ 6 bi para a universidade. O orçamento da Uerj atual é mais ou menos o mesmo de 2014, ou seja, apesar de termos criado novos cursos, se expandido para novos campi, o orçamento se mantém praticamente igual.
Leonardo Kaplan também afirma que a greve é por tempo indeterminado por causa da falta de diálogo com o Estado.
A greve tem tempo indeterminado, pois aguardamos que o governo assuma sua obrigação legal de cumprir a lei da recomposição e nos atenda revertendo a retirada de direitos como adicional por tempo de serviço. Além disso, é necessário reverter a asfixia orçamentária da UERJ. Se formos atendidos em nossas reivindicações, a categoria poderá deliberar pelo fim da greve e o retorno às nossas atividades regulares. Portanto, isso depende do governo.
De acordo com os professores, os representantes da classe vão enviar novos ofícios solicitando reunião com a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, com a Casa Civil e com o Governador Interino Ricardo Couto.
Em nota, a UERJ disse que precisa cumprir a sua missão educacional, científica, tecnológica e de prestação de serviços à sociedade. A universidade ainda acrescentou que segue procurando dialogar com os diferentes setores, tentando encontrar soluções que garantam as condições do seu pleno funcionamento.
Procurado, o Governo do Rio afirmou que trabalha para garantir a saúde financeira do Estado, e, ao mesmo tempo, implementar políticas de valorização do funcionalismo, por meio de uma gestão planejada, de medidas para equilibrar despesas e receitas e de ações para aumentar a arrecadação.
Ainda de acordo com o Estado, haverá ajuste no processo de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados e que o Rio encontra-se sob as regras do Regime de Recuperação Fiscal, sob efeito de liminar, com um cenário fiscal ainda desafiador sob o princípio do equilíbrio das contas públicas.
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