Próximo ao fim do prazo estipulado em acordo, SuperVia segue operando serviço de trens
Passageiros seguem reclamando de problemas estruturais e de atrasos nas viagens

Próximo ao fim do prazo estipulado no acordo entre o Governo do Estado e a SuperVia, a empresa segue operando o serviço de trens urbanos do Rio de Janeiro. Em meio ao impasse, passageiros seguem reclamando de problemas estruturais e de atrasos nas viagens.
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Em novembro de 2024, a companhia e o Executivo concordaram com a saída da atual concessionária. O documento foi homologado em dezembro pela Justiça do Rio, dando início ao período de transição.
O acordo determinava que a SuperVia seguisse à frente da operação por seis meses, período que poderia ser prorrogado por mais 90 dias. Além disso, o texto citava que o Estado seria responsável pelos aportes necessários ao funcionamento do modal.
Segundo o Governo do Estado, o prazo permitiria que uma nova empresa assumisse, de forma tranquila, a concessão. Questionado durante agenda nesta quarta-feira (3), o governador Cláudio Castro se limitou a dizer que o caso ainda está na Justiça.
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Está na Justiça ainda. A gente está lá batalhando. Espero que em breve a gente tenha novidade
Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio informou que cabe aos envolvidos estabelecer os compromissos e as responsabilidades em razão do acordo homologado pela 6ª Vara Empresarial da Capital.
Na avaliação do diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, a transição não pode ser realizada de qualquer maneira.
A estruturação dessa transição é bem complexa, porque não é uma situação simples, uma substituição simples de pessoal para operar trens. Os trens tem uma complexidade desde da rede aérea, dos sistemas de energia, o sistema principal de sinalização para operar os trens, manter a regularidade dos intervalos, que é bastante reclamado pelos usuários, os acidentes têm que ser evitados com manutenção da via permanente, então são pessoas especializadas, o centro de controle operacional. Então existe, tem que ter uma transição planejada e com o pessoal que tenha capacidade técnica, então demanda treinamento e assim que deve ser feito.
A SuperVia assumiu a gestão dos trens em 1998, estando há quase 27 anos à frente dos 270 km da malha ferroviária, que conta com oito ramais e 102 estações.
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O percurso atravessa o Rio de Janeiro e mais 11 municípios da Região Metropolitana. No início da concessão, a tarifa dos trens era de R$ 0,60. Em 2005, o preço da passagem era de R$ 1,88. Em 2015, o valor foi para R$ 3,30. Atualmente, o custo é de R$ 7,60.
Todos os dias, cerca de 320 mil passageiros utilizam os trens. Em relação ao ano passado, a média aumentou quase 20%, já que, em 2024, a média diária de passageiros era de 270 mil.
No entanto, a cada ano, a média mensal de passageiros diminui. Em 2015, mais de 178 milhões de pessoas usaram trens para se locomover pelo Rio. Em 2020, o número reduziu para pouco menos de 98 milhões. Em 2024, o total foi ainda menor que no ano da pandemia da Covid-19, com 85 milhões e 300 mil usuários.
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A principal reclamação dos passageiros é sobre as más condições das estações e dos trens, além da demora. O primeiro secretário do Conselho Comunitário de Segurança de Nova Iguaçu, Jayme Soares, afirma que o cenário deixado pela SuperVia é de preocupação.
Nós temos estações que não tem o mínimo, não tem banheiro para o usuário que paga uma passagem caríssima... estações essas onde você tem muitas delas com problema de insegurança, não tem monitoramento, não tem a presença da polícia. Então, repare que a questão de infraestrutura é a responsabilidade da empresa. Outras questões, como segurança no entorno, ocupação irregular do solo, impacta diretamente na oferta do próprio serviço. Essa favelização dos trilhos vai provocar problemas, atrasos na operação dos trens, redução na velocidade desses trens, aumentando o tempo de viagem do cidadão, riscos de acidente, lixo acumulado, presença constante de usuários de droga
Em nota, a SuperVia informou que o assunto deveria ser tratado com a Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana.
Já a pasta disse que o Governo do Estado trabalha para que uma nova empresa assuma o sistema ferroviário, sem qualquer impacto na rotina dos usuários. A Secretaria afirmou que investiu R$ 160 milhões nos últimos meses, o que viabilizou maior agilidade às viagens e melhorias operacionais.
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Paralelamente, o Estado instaurou um grupo de trabalho para cuidar do processo de transição no final do ano passado. A Procuradoria Geral do Estado ainda não respondeu os questionamentos da reportagem.
