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Rede clandestina fazia captação de pacientes para cirurgias estéticas no RJ

Grupo ligado ao médico José Emílio de Brito atraía clientes pelas redes sociais e realizava procedimentos em clínicas irregulares

João Boueri
JOÃO BOUERI

01/10/2025 • 10:48 • Atualizado em 01/10/2025 • 10:48

Material apreendido durante ação da Delegacia do Consumidor

Material apreendido durante ação da Delegacia do Consumidor

Divulgação/Polícia Civil

O grupo ligado ao cirurgião plástico responsável pela morte de uma jovem durante procedimento estético atuava como uma rede clandestina para captar clientes. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos envolvidos que recebiam pagamentos do médico José Emílio de Brito.

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A operação acontece após a denúncia da BandNews FM sobre a morte da técnica em segurança do trabalho Marilha Menezes Antunes.

O caso aconteceu no dia 8 de setembro na clínica Amacor, em Campo Grande, na Zona Oeste. A vítima, de 28 anos, foi perfurada sete vezes durante uma hidrolipoaspiração.

O cirurgião plástico também já tinha sido condenado pela morte de uma funcionária pública, em 2008.

O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias. O médico José Emílio de Brito vai ser indiciado pelo crime de homicídio com dolo eventual - quando se assume o risco de matar - e falsidade ideológica.

A operação desta quarta-feira (1º), acontece em ao menos cinco bairros da Zona Norte do Rio e no município de Mesquita, na Baixada Fluminense.

A Polícia tenta encontrar os materiais cirúrgicos utilizados durante o procedimento estético feito pela técnica em segurança do trabalho.

Entre os alvos, a enfermeira e instrumentadora cirúrgica Sabrina Rabetin Serri.

A profissional participou da hidrolipoaspiração, que terminou com a morte da jovem Marilha Menezes Antunes, de 28 anos.

Ela é suspeita de ser atuar em nome do médico durante os procedimentos e principal captadora de clientes.

Sabrina já tinha prestado depoimento por mais de duas horas dias após o caso que aconteceu na clínica Amacor, em Campo Grande, na Zona Oeste, e ficou em silêncio na saída da delegacia.

Nesta quarta-feira (1º), após ser conduzida à Cidade da Polícia, a profissional também não falou com a imprensa. A enfermeira deve ser indiciada pelo exercício ilegalmente da medicina.

Para o delegado Wellington Vieira, a enfermeira também tinha influência sobre o médico.

O Conselho Regional de Enfermagem disse que abriu um Processo Ético Disciplinar para apurar os fatos e a conduta da profissional. O registro profissional pode ser cassado.

A operação foi deflagrada após a Delegacia do Consumidor identificar mais falhas durante a cirurgia. Os policiais coletam novas provas para concluir a investigação.

A Justiça do Rio também expediu mandados de busca e apreensão contra a mulher apontada como captadora de clientes nas redes sociais e que faz parte do grupo de José Emílio de Brito.

O cirurgião plástico está preso de forma temporária. Ele é acusado de falsear a declaração de óbito da Marilha Menezes Antunes.

A Polícia Civil deve pedir à Justiça a prisão preventiva do médico. Ele tinha dito que a morte foi causada por broncoaspiração, seguida de parada cardiorrespiratória.

No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal apontou sete perfurações, sendo duas no rim esquerdo e na cavidade abdominal.

Para a Polícia Civil, o grupo que trabalha com o cirurgião plástico fazia a captação de clientes e sabia das condições oferecidas pelo médico durante os procedimentos.

José Emílio de Brito vai responder pelos crimes de homicídio e falsidade ideológica. No dia seguinte à morte, duas funcionárias da clínica chegaram a ser presas em flagrante por crime contra relação de consumo, mas pagaram fiança e respondem em liberdade.

A clínica Amacor onde o procedimento ocorreu foi interditada após os policiais encontrarem medicamentos vencidos no centro cirúrgico, na farmácia do hospital e, principalmente, no carrinho de parada cardíaca, que estava no local em que a vítima morreu.

O dono e representantes da clínica também são investigados pelo crime contra relações de consumo.

Em nota, a clínica Amacor disse que a atuação do médico é independente e que colabora com as investigações.

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