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Rodoviária do Rio diz que detectores de metal são medida “complexa”

Equipamento não foi instalado dois anos após sequestro; lei estadual prevê uso

João Boueri
JOÃO BOUERI

12/02/2026 • 12:16 • Atualizado em 12/02/2026 • 12:16

Rodoviária do Rio de Janeiro

Rodoviária do Rio de Janeiro

Tomaz Silva/Agência Brasil

A concessionária que administra a Rodoviária do Rio, na Zona Portuária, afirma que a instalação de detectores de metal no terminal é uma "questão complexa", já que as viagens possuem paradas antes do destino final.

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A declaração acontece quase dois anos após o sequestro que terminou com dois feridos no terminal. O caso aconteceu em março de 2024. Até agora, o sistema não foi implementado.

No ano passado, Paulo Sérgio de Lima foi condenado a 25 anos e três meses de prisão durante júri popular. Ele foi considerado culpado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado tentado, sequestro e cárcere privado.

Bruno Lima Soares foi baleado e passou quase dois meses internado. Uma segunda vítima ficou ferida após ser atingida por estilhaços.

O criminoso estava em um ônibus, quando atirou contra duas pessoas que entraram no coletivo ao confundi-las com policiais à paisana. Em seguida, ele manteve passageiros reféns por cerca de três horas. A BandNews FM tenta contato com a defesa dele.

Em 2024, quando houve o crime no terminal, o Governo tinha anunciado que estava à disposição da concessionária Novo Rio para dar início à instalação do equipamento.

No ano passado, a Coderte anunciou um grupo de trabalho para analisar a legislação referente a detectores de metais em rodoviárias. Também em 2025, a Rodoviária do Rio tinha dito que a instalação dos detectores de metais é de responsabilidade das autoridades com poder de polícia.

Uma lei estadual de 1997 obriga as rodoviárias interestaduais a disponibilizarem os aparelhos. No entanto, o texto, que não define a operação dos equipamentos, nunca foi regulamentado.

A Procuradoria-Geral do Estado tentou derrubar a lei, o que foi rejeitado pela Justiça em 2019. Na época, para o desembargador Mauro Pereira Martins, como havia muitos crimes em ônibus, os detectores poderiam promover segurança, o que seria uma medida de interesse público.

Em 2024, o deputado estadual Jorge Felippe Neto propôs um novo projeto de lei para a instalação dos detectores de metais em todas as rodoviárias do estado. O texto não foi pra frente após parecer da Comissão de Constituição e Justiça dizer que o PL tinha o mesmo objetivo da lei já aprovada em 1997.

Nesta quinta-feira (12), o deputado disse que vai entrar com um novo requerimento na CCJ. O político também afirmou que a responsabilidade pela instalação é da concessionária da Rodoviária do Rio.

Olha tivemos um caso traumático em 2024 de um sequestro dentro de uma rodoviária concedida aqui na cidade que podia ter sido resolvido de maneira muito fácil se a lei de 1997 tivesse sido efetivamente implementada pelos concessionários da Rodoviária do Rio. A segurança do nosso passageiro tem que se tratar em primeiro lugar hoje em dia você tem equipamentos portáteis que são detectores de metais que já poderiam ter sido implementados há muito tempo dando essa sensação de segurança a todo o sistema no nosso estado né.

Em nota, a Rodoviária do Rio disse que cumpre os requisitos legais para a proteção dos passageiros, como o monitoramento 24h das instalações por mais de 100 câmeras e vigilantes patrimoniais.

Além disso, a concessionária Novo Rio afirmou que fez um investimento em nova tecnologia que permitiu, desde o ano passado, a integração das câmeras, em tempo real, ao sistema de reconhecimento facial da Polícia Militar, o que tem intensificado a prisão de criminosos.

A Rodoviária também disse que há policiamento do Batalhão de Turismo no interior do terminal (mezanino) cujos agentes fazem rondas regulares nas instalações.

Procurado, o Governo do Rio ainda não se posicionou.

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