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Unidos de Padre Miguel destaca legado de Iyá Nassô e história do terreiro mais antigo do Brasil

O enredo "Egbé Iyá Nassô" também vai retratar o poder feminino nas religiões de matriz africana

Guilherme Faria
GUILHERME FARIA

20/02/2025 • 19:30 • Atualizado em 20/02/2025 • 19:30

O enredo "Egbé Iyá Nassô", assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato

O enredo "Egbé Iyá Nassô", assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato

Divulgação

Uma viagem pela tradição afro-brasileira: em 2025, a Unidos de Padre Miguel vai destacar o legado de Iyá Nassô e contar a história do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo do Brasil. O enredo "Egbé Iyá Nassô", assinado pelos carnavalescos Alexandre Louzada e Lucas Milato, também vai retratar o poder feminino nas religiões de matriz africana, demonstrando a força das mulheres na luta pela fé e pela identidade. Fundadora do primeiro terreiro de candomblé no Brasil, Iyá Nassô foi uma princesa negra escravizada que decidiu enfrentar a repressão para libertar os filhos da revolta. O carnavalesco Alexandre Louzada explica que o desfile da Unidos de Padre Miguel vai celebrar o matriarcado, destacando o papel fundamental das mulheres não só no candomblé, mas, também, na direção da escola.

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E faz uma analogia com a comunidade, porque Egbé quer dizer comunidade, com a comunidade da Vila Vintém e com a Unidos de Padre Miguel, que também grande parte de sua gestão está destinado a mulheres. É uma escola que praticamente é dirigida por mulheres, assim como primeiro o Egbé de Candomblé no Brasil, também foi feito por esse matriarcado.

Para desenvolver o enredo, os carnavalescos e enredistas do Boi Vermelho fizeram visitas ao Terreiro da Casa Branca, que fica em Salvador, na Bahia, e trocaram informações com a Iyalorixá Neuza Cruz de Xangô e outros membros do Conselho Espiritual da Casa. Fundado na primeira metade do século XIX, o Terreiro da Casa Branca ficava na região da Barroquinha, no centro de Salvador, mas precisou mudar de lugar por conta da forte repressão sofrida na época, e foi transferido para o Engenho Velho, onde segue até hoje. Apesar de Iyá Nassô e o terreiro já terem sido mencionados por outras agremiações em desfiles passados, o carnavalesco Lucas Milato afirma que eles nunca tiveram o destaque que mereciam em um enredo. Segundo ele, este foi um fator importante para que a iniciativa da escola fosse apoiada pela Casa Branca. "Foi quando a Neuza, que é a atual Iyalorixá do terreiro, disse para a gente que ela viu na escola, de fato, uma escola disposta a contar a verdadeira história do Terreiro da Casa Branca e, muito por isso, eles se sentiram tão confortáveis de permitir que esse enredo fosse para a Avenida." O espaço sagrado é, também, o primeiro terreiro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN. A Casa, tida como a matriz da nação nagô no Brasil, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro em 1984. Estreante como Rainha de Bateria da Unidos de Padre Miguel no carnaval deste ano, Andressa Marinho fala sobre a alegria de desfilar contando a história de Casa Branca e de Iyá Nassô.

O meu coração, em si, está borbulhando em um mix de sentimentos de alegria, de gratidão, de realização… Por chegar ao posto de rainha no ano em que o nosso Boi Vermelho conta a história de uma mulher tão forte, que é inspiração, que é referência, e de muita representatividade, que deixou um legado de ancestralidade para que nós pudéssemos dar continuidade.

O desfile do Boi Vermelho faz, ainda, um elo entre a Egbé Iyá Nassô e a comunidade de Vila Vintém, na Zona Oeste do Rio, que tem fortes ligações com a cultura afro. A mensagem, inclusive, vem já na letra do samba, que define: "Vila Vintém é terra de macumbeiro! / Iyá Nassô é rainha do candomblé!" O carnavalesco Lucas Milato conta que a construção do enredo foi baseada em três objetivos centrais, entre eles, apresentar uma história que agradasse a comunidade.

A nossa comunidade estava esperando um enredo afro, um enredo que exaltasse a cultura afro-brasileira, e obviamente algo com uma mensagem potente, 'né'? E é muito importante a gente dar luz, dar voz ao Terreiro da Casa Branca, porque ele foi o primeiro terreiro de candomblé do Brasil. Então, hoje, ele é um dos únicos terreiros que mantém, de fato, as tradições originárias, digamos assim.

O Carnaval de 2025 tem um sabor ainda mais especial para a Unidos de Padre Miguel, já que marca o retorno da escola à elite do Carnaval carioca após mais de 50 anos. Esta vai ser a estreia da agremiação no Grupo Especial, rebatizado em 1990. Com a promessa de um desfile imponente em homenagem à Iyá Nassô, a Unidos de Padre Miguel vai ser a responsável por abrir os trabalhos no Grupo Especial, sendo a primeira escola a desfilar no domingo de Carnaval. OUÇA O SAMBA: https://youtu.be/Imlhee69de4?si=93Ct67DquOOwzmdH

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