
“Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos”
Divulgação/Viradouro
Defendendo o título do Carnaval Carioca em 2025, a Unidos do Viradouro vai mesclar as culturas afro e indígena para contar a história de Malunguinho, herói do século XIX e líder do Quilombo do Catucá, no Norte de Pernambuco. A escola de samba de Niterói promete emocionar a Marquês de Sapucaí exaltando a força da ancestralidade e destacando a resistência dos povos oprimidos. Tema do enredo assinado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, Malunguinho é uma entidade afro-indígena que se manifesta como caboclo da mata, mestre juremeiro e guardião das encruzilhadas, por isso, chamado de "Mensageiro dos Três Mundos". Figura histórica, ele sobreviveu dentro do culto da Jurema Sagrada, tida como uma das primeiras cosmologias brasileiras. Líder do quilombo do Catucá, foco de resistência no século XIX, João Batista, o Malunguinho, foi duramente perseguido por conta de seus atos libertários. Para fugir das emboscadas, ele se escondeu na mata e aprendeu com os indígenas o segredo da força das ervas. O carnavalesco Tarcísio Zanon destaca a alegria de contar, na Marquês de Sapucaí, a história de um dos maiores líderes quilombolas do Brasil.
Uma história que sobreviveu dentro da oralidade do povo, através do Catimbó Jurema. Nós estamos muito felizes de poder trazer esse tema, de trazer esse personagem que tem tudo a ver com a Viradouro. Nós estamos fazendo esse carnaval com muito carinho, com o espírito desse herói do povo, e a gente tem essa grande missão de elevá-lo ao panteão dos grandes heróis nacionais.
Após anos de resistência, João Batista foi morto em 1835 durante uma grande operação contra os quilombolas. Mas Malunguinho segue vivo abrindo os caminhos e protegendo os seguidores nas Mesas de Jurema, onde é evocado no começo das cerimônias. A força da entidade e a representatividade levantada pelo enredo são elogiadas pela Rainha de Bateria da Viradouro, Erika Januza, que conta que escuta o samba até na hora de dormir.
Tem a expectativa por esse enredo, que é Malunguinho, que é um libertador das senzalas, um quebrador de correntes… É um enredo muito forte para mim, cheio de representatividade, ancestralidade. Eu estou apaixonada pelo enredo, eu ouço o samba enredo até antes de dormir.
Além de exaltar a ancestralidade, a agremiação de Niterói também promete fazer uma homenagem à mãe natureza. O carnavalesco Tarcísio Zanon afirma que o desfile vai convidar o público para conhecer os detalhes do interior da mata encantada do Catucá.
Nós estamos falando do Rei da Mata, então a materialidade desse desfile é uma materialidade completamente orgânica. Estamos trocando os paetês pelos materiais orgânicos, como trocar pedra por semente, acabamentos por raízes... Então vai ser um carnaval em que as pessoas, quando verem o desfile da Viradouro, elas vão adentrar nessa Mata Encantada do Catucá.
Na tradição, Malunguinho é, também, aquele que ronda a mata para vencer o inimigo, indicando os caminhos da cura. Do enredo ao samba que vai ser cantado na Avenida, a escola pede proteção, e brada: Viradouro é catimbó! Para a Rainha de Bateria Erika Januza, o desfile é, também, um momento de aprendizado, e de dar luz a um tema importante que, por vezes, é esquecido.
Acho que como o Carnaval está sempre ensinando muito para a gente, é mais uma oportunidade de aprender mais um tema novo, aprender a respeitar, aprender a valorizar... Todo Carnaval eu acho que eu fico mais culta, porque eu tenho a oportunidade de aprender mais, só no Grupo Especial, mais 12 temas eu tenho para aprender.
Seja na Mata, na Jurema ou na Encruzilhada, Malunguinho é o dono da chave mágica para abrir a senzala e fechar o corpo daqueles que pedem proteção. E é com a companhia poderosa dele que a Viradouro vai entrar na Marquês de Sapucaí no domingo de carnaval em busca do quarto título da história da escola. OUÇA O SAMBA: https://www.youtube.com/watch?v=L9WqDIF-QAk
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