Cientistas encontram possível regra comum entre buracos negros
Buracos negros separados por diferenças de massa que chegam a milhões de vezes podem obedecer à mesma regra quando lançam matéria para o espaço.

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Buracos negros separados por diferenças de massa que chegam a milhões de vezes podem obedecer à mesma regra quando lançam matéria para o espaço.
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Um estudo publicado na Nature Astronomy encontrou evidências de que esses objetos produzem jatos quando a quantidade de matéria que os alimenta cai para um ponto crítico semelhante, independentemente de serem buracos negros de massa estelar ou gigantes supermassivos.
A pesquisa foi conduzida por Adelle Goodwin, da Curtin University, na Austrália, e Andrew Mummery, do Institute for Advanced Study, nos Estados Unidos. O trabalho buscou comparar fenômenos que normalmente são difíceis de colocar lado a lado. Buracos negros menores podem mudar seu comportamento em períodos observáveis, enquanto sistemas supermassivos costumam evoluir em escalas que chegam a milhares de anos.
A saída encontrada pelos pesquisadores foi observar eventos de ruptura de maré. Eles acontecem quando uma estrela se aproxima demais de um buraco negro supermassivo e acaba destruída pela intensa força gravitacional. Parte de seu material passa a alimentar o objeto, criando uma oportunidade rara de acompanhar alterações no fluxo de matéria em períodos de anos, em vez de esperar transformações que poderiam levar milênios.
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Os dados revelaram dois momentos distintos de expulsão de material. O primeiro aparece quando a alimentação supera o chamado limite de Eddington, referência usada para descrever quanto material um objeto compacto consegue acumular enquanto a pressão da radiação se opõe à gravidade. O segundo surge quando essa taxa cai para aproximadamente 2% desse limite.
É justamente o segundo número que tornou o resultado relevante. A faixa de cerca de 2% já havia sido observada nas mudanças de estado de buracos negros de massa estelar. Encontrar o mesmo valor em sistemas supermassivos sugere que o mecanismo responsável pela formação dos jatos pode continuar funcionando mesmo quando a escala do objeto muda radicalmente.
Esses jatos estão entre os fenômenos mais energéticos associados aos buracos negros. Eles transportam partículas e energia para regiões distantes e podem interferir no gás existente ao redor desses objetos. Entender em que momento são acionados permite construir modelos mais precisos para interpretar observações feitas em diferentes comprimentos de onda.
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A análise também oferece uma forma de antecipar quando determinados buracos negros poderão produzir novas emissões. Eventos de ruptura de maré fornecem dados sobre a evolução da alimentação do objeto, permitindo calcular quando o sistema deverá se aproximar do ponto crítico identificado pelos autores. Isso abre espaço para direcionar telescópios e radiotelescópios ao alvo no período em que um jato tem maior possibilidade de surgir.
Publicado em 17 de setembro, o estudo sobre a taxa crítica para formação de jatos não afirma que todos os buracos negros se comportem de maneira idêntica. O resultado estabelece uma relação observacional entre objetos de escalas extremamente diferentes e aponta para um processo físico compartilhado. Se novas observações repetirem o padrão, um único número poderá ajudar a explicar quando alguns dos menores e dos maiores buracos negros conhecidos passam a lançar matéria de volta ao espaço.
