Esqueleto de cavalo de 3 mil anos é descoberto em fortaleza militar no Egito
Arqueólogos que realizam escavações na fortaleza militar de Tell Al-Abqain, situada na província de Beheira, no Delta ocidental do Nilo, desenterraram o

Divulgação/Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito
Arqueólogos que realizam escavações na fortaleza militar de Tell Al-Abqain, situada na província de Beheira, no Delta ocidental do Nilo, desenterraram o esqueleto completo e perfeitamente articulado de um cavalo jovem que foi enterrado há, aproximadamente, 3.000 anos.
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O anúncio oficial, feito pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, confirma que os restos mortais remontam ao Novo Império (Reino Novo) egípcio — era de ouro do poderio militar e diplomático faraônico. O achado é considerado excepcional pela comunidade científica, já que sepultamentos cerimoniais de equinos preservados de forma integral são ocorrências raras no registro bioarqueológico do país.
Sepultamento cerimonial e peças de carruagem
O animal, identificado preliminarmente como um macho jovem de porte médio e ossatura ágil, foi depositado em posição anatômica deliberada no interior do complexo fortificado, sugerindo que recebeu um enterro ritualístico de honra.
Junto à ossada, os pesquisadores resgataram componentes cilíndricos de arreio e cabeçada de tração, esculpidos em alabastro e calcário. O material associa diretamente o cavalo à tração de carruagens de guerra, símbolo máximo de velocidade, precisão e prestígio das tropas do faraó.
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A sentinela da fronteira ocidental e Ramessés II
A fortificação de Tell Al-Abqain ficava estrategicamente posicionada no distrito de Hosh Issa para vigiar a fronteira ocidental do Delta do Nilo contra incursões de forças líbias e dos chamados Povos do Mar durante o Novo Império (período que vigorou entre cerca de 1550 a.C. e 1070 a.C.).
Além da sepultura do equino, as equipes de campo revelaram uma série de relíquias históricas no local:
- Estelas reais: Inscrições com menções aos faraós Ramessés II e seu filho e sucessor, Merneptá;
- Registro de conflito: Um bloco de pedra talhado com a representação de um prisioneiro de guerra líbio;
- Estruturas de guarnição: Barracões de tropas, silos de grãos e oficinas militares integradas à defesa do posto avançado.
Arqueozoologia: carruagens e a revolução dos equinos no Nilo
A presença do esqueleto ajuda a aprofundar os estudos zootécnicos e históricos sobre a introdução e o manejo de equinos no Nordeste da África.
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Os cavalos foram introduzidos no Egito por volta de 1600 a.C., durante a invasão dos hicsos. Contudo, historiadores e arqueozoólogos ressaltam uma importante distinção militar: no Novo Império, os egípcios não operavam cavalaria tradicional com combatentes montados. Em vez disso, os animais eram selecionados e treinados para conduzir carruagens leves de combate com duas rodas, que transportavam um condutor e um arqueiro.
Embora carruagens e equinos apareçam em profusão em relevos parietais e murais de templos faraônicos, registros osteológicos inteiros desse período são escassos, conferindo ao exemplar de Tell Al-Abqain relevância ímpar para o mapeamento da conformação física dos animais da época.
Próximos passos e lacunas científicas
Os dados conhecidos até o momento foram divulgados por boletins oficiais de campo e pela cobertura de arqueologia internacional. A expectativa da comunidade científica agora está voltada para a publicação de monografias acadêmicas com medições osteométricas completas, datações diretas por radiocarbono (Carbono-14) e análises isotópicas ou paleogenéticas, que poderão esclarecer a linhagem genética e a procedência geográfica do animal.
