Ciência e tecnologia

Fungos podem criar materiais de construção que se regeneram

Uma rachadura costuma marcar o início da deterioração de um material. Com estruturas vivas feitas a partir de fungos, a lógica pode ser diferente.

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12/09/2026 07:00 • Atualizado há 29 dias

Fungos podem criar materiais de construção que se regeneram

Uma rachadura costuma marcar o início da deterioração de um material. Com estruturas vivas feitas a partir de fungos, a lógica pode ser diferente.

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Se o micélio permanecer biologicamente ativo, sua rede de filamentos consegue voltar a crescer e preencher determinadas regiões danificadas, criando uma forma de reparação que acontece dentro do próprio material.

Micélio é a parte vegetativa dos fungos, formada por uma trama de filamentos microscópicos chamados hifas. Quando cresce entre partículas de origem vegetal, essa rede funciona como uma espécie de ligação natural. O resultado pode assumir formatos rígidos, leves ou flexíveis, dependendo do fungo, do substrato e do processo de fabricação.

A construção civil já explora essa característica em painéis, isolamento térmico, revestimentos e blocos experimentais. Muitos produtos feitos com micélio passam por calor ou secagem para interromper o crescimento do fungo. Isso aumenta a estabilidade, mas elimina justamente uma propriedade necessária à regeneração: a atividade biológica.

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Manter o organismo vivo muda o comportamento do material. Amostras produzidas apenas com micélio sobreviveram mesmo depois de períodos em ambientes secos e com poucos nutrientes. Quando sofreram cortes e receberam condições adequadas para recuperação, novos filamentos atravessaram as áreas danificadas. Ensaios publicados em Advanced Functional Materials registraram autorreparação após dois dias, embora as propriedades mecânicas não tenham sido recuperadas integralmente em todas as situações.

A ideia já começa a ganhar escala e formas mais próximas da arquitetura. Misturas de solo enriquecidas com nutrientes foram impressas em 3D e posteriormente colonizadas por micélio para formar elementos de construção. Nos testes, a rede fúngica atravessou espaços abertos propositalmente nas amostras, demonstrando capacidade regenerativa enquanto ajudava a melhorar a integridade do composto.

Há uma dificuldade escondida nessa proposta. Uma parede convencional deve permanecer previsível; um organismo vivo responde a umidade, temperatura, alimento e condições ambientais. Preservar a capacidade de crescimento sem permitir que o material se transforme de maneira indesejada exige controlar justamente aquilo que mantém o fungo vivo.

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A pesquisa em materiais vivos de micélio para construção já investiga processos capazes de produzir estruturas em maior escala. Um trabalho da Universidade Cornell desenvolveu um composto que pode ser aplicado por projeção, de maneira semelhante a técnicas usadas com concreto, e demonstrou uma camada experimental de escala métrica.

Autorreparação também não significa reconstrução ilimitada. A resposta depende do tipo e da extensão do dano, da viabilidade do fungo e das condições oferecidas para seu crescimento. Transformar esse comportamento biológico em desempenho previsível para edifícios ainda exige avanços em durabilidade, resistência, controle de contaminação e padronização.

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