Ciência e tecnologia

É golpe: IA cria padre sem pernas para pedir doações em redes sociais

Uso de Inteligência Artificial para aplicar golpes nas redes sociais crescem no Brasil

2 min

02/09/2026 16:35 • Atualizado há 11 horas

É golpe: IA cria padre sem pernas para pedir doações em redes sociais

As fraudes virtuais com o uso de inteligência artificial (IA) avançam em sofisticação e frequência no Brasil. Um exemplo recente que repercutiu nas redes sociais utiliza um vídeo falso de um suposto padre de 38 anos que alegava ter perdido as pernas e pedia doações para comprar próteses. O material, que comoveu fiéis, era inteiramente gerado por IA.

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A fraude veio à tona no interior de São Paulo. Um idoso de 80 anos desconfiou das imagens e pediu ajuda ao filho para checar a veracidade. "Esses golpes com inteligência artificial estão cada vez mais sofisticados", pontuou Armindo Ferreira, especialista em tecnologia.

Ferreira aponta que características técnicas e comportamentais ajudam a identificar fraudes visuais. "O tom de voz costuma ser monótono e muito uniforme. Além disso, um padre ou figura pública acostumada a falar com o público costuma ter pequenas pausas, hesitações ou lapsos de raciocínio", detalhou. A ausência de naturalidade na fala e a rigidez nas expressões faciais também indicam manipulação.

Outro elemento recorrente é a pressão psicológica. "A narrativa vem sempre acompanhada de urgência: é preciso ajudar o quanto antes, fazer agora. Isso faz com que a gente desligue um pouco o senso crítico", explicou.

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Para se proteger, o especialista recomenda checar a origem do conteúdo e o destino dos valores. "Verifique para onde vai a doação, se o canal é seguro e a origem do vídeo. Contas recém-criadas em redes sociais costumam ser indícios de golpe, ao contrário de perfis com histórico consolidado", alertou.

Estatísticas recentes evidenciam a expansão do problema. O Brasil concentrou 39% dos casos de deepfake na América Latina no último ano, e as fraudes do tipo registraram alta de 400% no primeiro semestre.

O cenário também inclui o uso de gravações reais de pessoas inocentes, extraídas de páginas legítimas e reaproveitadas em perfis falsos. Diante disso, a recomendação é redobrar a cautela. "Desconfiar, desconfiar, desconfiar sempre", resume Ferreira. Analisar o histórico da conta e o destino dos pagamentos — frequentemente direcionados via Pix — são passos cruciais de segurança.

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"É muito difícil fazer essa diferença porque a tecnologia é desenvolvida para isso e está cada vez mais avançada", concluiu o especialista.

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