Ciência e Tecnologia

Imagem inédita expõe a "arquitetura invisível" que sustenta o universo

Imagem produzida com dados do telescópio James Webb indica que a matéria escura definiu a formação de galáxias e estrelas desde o início do cosmos

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 12:27 • Atualizado em 29/01/2026 • 12:27

Novo mapa mostra como a matéria escura (em azul) forma a estrutura invisível que sustenta as galáxias do universo

Novo mapa mostra como a matéria escura (em azul) forma a estrutura invisível que sustenta as galáxias do universo

Gavin Leroy/Cosmos-Webb collaboration/DW

Um grupo internacional de cientistas publicou na segunda-feira (26) passada, na revista Nature Astronomy, o mapa mais detalhado já produzido da matéria escura, um dos maiores mistérios da cosmologia.

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A imagem foi elaborada a partir de observações do telescópio espacial James Webb, operado pelas agências espaciais europeia e canadense em parceria com a Nasa, e reforça a hipótese de que a matéria escura foi responsável por definir a distribuição das galáxias em grande escala, atuando como a principal “arquiteta” do universo.

Segundo os modelos atuais da ciência, apenas cerca de 4% do universo é composto por matéria comum, aquela que pode ser observada diretamente. Aproximadamente 26% seriam formados por matéria escura, que não emite, reflete ou absorve luz e só pode ser identificada indiretamente, por meio de seus efeitos gravitacionais.

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Durham, no Reino Unido, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e da Nasa. Para os cientistas, logo após o surgimento do universo, a matéria escura se aglutinou primeiro e, em seguida, atraiu a matéria comum, criando as regiões onde se formaram estrelas, galáxias e, mais tarde, planetas.

Os autores afirmam que, sem a influência da matéria escura, a Via Láctea provavelmente não teria reunido os elementos necessários para o surgimento da vida na Terra.

“Ao revelar a matéria escura com uma precisão sem precedentes, nosso mapa mostra como um componente invisível do universo estruturou a matéria visível a ponto de permitir o surgimento de galáxias, estrelas e, em última instância, da própria vida”, afirma Gavin Leroy, da Universidade de Durham, um dos autores do estudo.

Em comunicado, Leroy acrescenta que o mapa “revela o papel invisível, mas essencial, da matéria escura, que organiza gradualmente as estruturas observadas pelos telescópios”.

Um componente invisível que atravessa a matéria

O trabalho também confirma que a matéria escura atravessa a matéria comum sem interagir diretamente com ela, como um “fantasma”. Ainda assim, sua gravidade exerce um papel fundamental na dinâmica do universo.

“Existem bilhões de partículas de matéria escura atravessando nosso corpo a cada segundo. Elas não causam dano algum e seguem seu caminho. Mas a nuvem de matéria escura que envolve a Via Láctea tem gravidade suficiente para manter unida toda a nossa galáxia. Sem ela, a Via Láctea se desintegraria”, diz Leroy.

O mapa mostra como a matéria escura atua como a estrutura oculta sobre a qual as galáxias visíveis são construídas | Crédito: Gavin Leroy/Professor Richard Massey/Cosmos-Webb collaboration/DW

O mapa mostra como a matéria escura atua como a estrutura oculta sobre a qual as galáxias visíveis são construídas | Crédito: Gavin Leroy/Professor Richard Massey/Cosmos-Webb collaboration/DW

255 horas de observação com o James Webb

A área analisada fica na direção da constelação de Sextans. O telescópio James Webb observou a região durante 255 horas, identificando cerca de 800 mil galáxias, muitas delas registradas pela primeira vez.

A equipe científica mapeou a matéria escura ao analisar como sua massa curva o espaço ao redor. O novo levantamento reúne cerca de dez vezes mais galáxias do que mapas anteriores feitos por observatórios terrestres e o dobro do que havia sido observado pelo telescópio espacial Hubble.

“Até agora, víamos uma imagem borrada da matéria escura. Com a resolução extraordinária do James Webb, passamos a enxergar a estrutura invisível do universo com um nível de detalhe surpreendente”, afirma Diana Scognamiglio, pesquisadora da Nasa e coautora do estudo.

Com informações da DW, EFE, Universidade de Durham, Nature Astronomy

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