
Terras raras na província de Jiangsu, na China
Reuters
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (6), o projeto de lei (PL) que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto regulamenta a exploração de minerais essenciais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, chips e equipamentos militares –entre eles as chamadas terras raras.
A votação do texto-base aconteceu de forma simbólica na véspera do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com seu homólogo norte-americano, Donald Trump, previsto para esta quinta-feira (7). O debate sobre o tema está entre as pautas do encontro e o governo quer chegar aos EUA com a regulamentação do setor aprovada. O tema é tratado pelo Planalto como um ativo relevante na negociação com Washington.
O impacto das negociações internacionais por terras raras geram curiosidade no mundo inteiro. Levantamento da Sala Digital revela que o interesse de buscas pelo termo “terras raras” no Google aumentou 650% no último ano, na comparação com os 12 meses anteriores. No cenário global, a plataforma registrou um crescimento de 330% nas pesquisas sobre o assunto.
Para contextualizar o peso estratégico da venda da operação goiana, a Sala Digital responde às perguntas mais buscadas sobre “terras raras” nos último ano.
O que são terras raras e qual a sua importância?
As terras raras compõem um grupo específico de 17 elementos químicos. A lista oficial engloba 15 lantanídeos, além do escândio e do ítrio, materiais que formam a base tecnológica de inúmeros setores da indústria contemporânea.
Apesar do nome popular, esses recursos não são geologicamente escassos na crosta terrestre. O mercado os classifica como “raros” devido à extrema dificuldade técnica e aos altos custos financeiros envolvidos nas etapas de extração e separação.
A relevância do material vem das suas propriedades magnéticas e condutoras exclusivas. Eles são componentes primários e insubstituíveis na fabricação de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones de última geração e equipamentos militares de alta precisão.
Brasil tem terras raras?
Segundo dados oficiais do governo dos Estados Unidos, publicados pelo Serviço Geológico Americano (USGS) em seu relatório anual sobre minerais, o Brasil abriga a segunda maior reserva mundial desses minerais. O volume estimado de reservas atinge a marca de 21 milhões de toneladas, o que representa cerca de 23% de todo o potencial global mapeado até o momento.
As ocorrências geológicas se espalham por várias regiões. Em Goiás, destacam-se Minaçu, Nova Roma e Catalão. Em Minas Gerais, o município de Araxá possui a única reserva oficialmente reconhecida, mas há potencial em áreas de Poços de Caldas e Tapira.
O mapeamento inclui depósitos gigantes no Amazonas, embora a reserva de Seis Lagos enfrente impedimentos legais por estar em território indígena. A lista conta ainda com áreas na Bahia, na Bacia do Parnaíba e na submersa Elevação do Rio Grande, na costa sul.
Apesar do potencial geológico, a produção brasileira ainda é incipiente e representa apenas 1% do mercado mundial. Até o acordo desta segunda-feira (20), a Serra Verde operava de forma isolada como a única mina comercial de larga escala do país.
Quais países têm mais terras raras?
A distribuição geológica concentra o recurso de forma extrema: apenas oito países detêm 98% das reservas do planeta. O ranking global é liderado de forma isolada pela China, dona de quase metade (49%) dos depósitos identificados no mundo.
O Brasil ocupa a vice-liderança com os seus 23%, seguido de longe pela Índia (7,7%), Austrália (6,3%) e Rússia (4,2%). Vietnã (3,9%), Estados Unidos (2,1%) e Groenlândia (1,7%) completam a restrita lista das principais potências minerais do setor.
A hegemonia chinesa, no entanto, vai muito além da exploração da própria terra. O país asiático exerce um monopólio prático de mercado, controlando 70% de toda a produção global e dominando entre 85% e 90% da capacidade de refino e processamento.
Trump quer terras raras do Brasil?
Sim. O governo dos Estados Unidos mantém negociações ativas e avançadas para acessar e processar os minerais críticos extraídos no Brasil. A compra da Serra Verde visa criar uma estrutura global robusta o suficiente para rivalizar com o domínio chinês.

