Ciência e Tecnologia

Oceanos escondidos: luas do Sistema Solar que podem abrigar vida sob o gelo

Sob camadas de gelo, luas como Europa e Encélado guardam oceanos líquidos e condições que podem sustentar vida

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

26/01/2026 • 21:32 • Atualizado em 26/01/2026 • 21:32

Oceanos subterrâneos em luas geladas podem sustentar formas de vida

Oceanos subterrâneos em luas geladas podem sustentar formas de vida

Canva

Sob camadas de gelo de quilômetros, luas como Europa e Encélado guardam oceanos líquidos e condições químicas que podem sustentar vida fora da Terra.

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Água fora da Terra e mundos oceânicos

Existe água fora da Terra em quantidade abundante, mas, em muitos casos, ela está “trancada” sob quilômetros de gelo. Algumas luas do Sistema Solar entram no grupo dos chamados ocean worlds, mundos oceânicos com evidências fortes ou crescentes de água líquida no subsolo. E onde há água, energia e química ativa, surge a pergunta que move a ciência: é possível existir vida ali, mesmo sem luz do Sol?

Por que esses oceanos não congelam

O segredo está na combinação de gravidade e química. Em luas que orbitam planetas gigantes, a atração gravitacional varia ao longo da órbita e “amassa” o interior do satélite, gerando calor por atrito, o chamado aquecimento de maré.

Some-se a isso a presença de sais e compostos como a amônia, que podem atuar como anticongelantes, e forma-se a receita para manter água líquida sob uma crosta gelada.

Europa e Encélado: principais candidatos

Europa, lua de Júpiter, é hoje a estrela do momento. Sua superfície é um quebra-cabeça de placas de gelo fraturadas, com sinais de atividade geológica, indício de que o interior não é um bloco inerte.

O oceano subterrâneo, em contato com rocha, poderia favorecer reações químicas que fornecem energia, como ocorre em fontes hidrotermais nos oceanos da Terra.

A missão Europa Clipper, da Nasa, lançada em 2024, vai avaliar a habitabilidade da lua, medir a espessura do gelo, analisar a composição e possíveis plumas, além de mapear regiões onde o oceano possa se comunicar com a superfície.

Camadas de gelo escondem água líquida em luas como Europa e Encélado | Crédito: Canva

Camadas de gelo escondem água líquida em luas como Europa e Encélado | Crédito: Canva

Encélado, lua de Saturno, é um caso quase didático de mundo oceânico. Jatos conhecidos como plumas lançam partículas de gelo e vapor para o espaço a partir de fraturas no polo sul.

A sonda Cassini analisou esse material e encontrou ingredientes importantes, incluindo compostos orgânicos e evidências de fosfatos, essenciais para a bioquímica como a conhecemos.

O grande trunfo é que o oceano se “entrega” ao espaço, permitindo estudar diretamente amostras e inferir o que existe abaixo da superfície.

Outras luas geladas

Ganímedes e Calisto, luas de Júpiter, também entram na lista. Ganímedes, a maior lua do Sistema Solar, apresenta indícios de um oceano subterrâneo salgado, associados a medições de seu campo magnético.

Já Calisto surge como candidata com um interior possivelmente rico em água líquida distribuída em camadas. A missão Juice, da Agência Espacial Europeia, vai investigar o sistema de Júpiter e ajudar a refinar o mapa de onde a água está e quão acessível ela pode ser.

Titã, lua de Saturno, possui atmosfera densa e lagos de metano e etano na superfície, mas também pode esconder um oceano de água no subsolo. Funciona como um laboratório natural de química orgânica complexa, aumentando o interesse científico, mesmo que a superfície seja fria demais para água líquida.

Tritão, lua de Netuno, apresenta geologia ativa e sinais de processos criovulcânicos, como vulcões frios. A hipótese de um oceano interno existe, mas ainda depende de mais dados para confirmação.

O que define habitabilidade

A busca por habitabilidade não significa encontrar vida extraterrestre diretamente, mas verificar três pilares fundamentais: água líquida, fonte de energia e elementos químicos essenciais.

Europa e Encélado lideram esse ranking porque combinam evidências robustas e caminhos plausíveis para energia e química em contato com a rocha.

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