Ciência e tecnologia

Tecnologia submarina pode melhorar alertas de terremotos e tsunamis

Milhares de quilômetros de fibra óptica cruzam o fundo dos oceanos levando dados entre continentes. Esses cabos foram instalados para telecomunicações, mas a

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09/09/2026 07:00 • Atualizado há 1 hora

Tecnologia submarina pode melhorar alertas de terremotos e tsunamis

Milhares de quilômetros de fibra óptica cruzam o fundo dos oceanos levando dados entre continentes. Esses cabos foram instalados para telecomunicações, mas a luz que circula por eles também pode revelar vibrações, deformações e movimentos ao redor da fibra. É uma infraestrutura pronta que começa a ganhar uma segunda função: observar fenômenos que acontecem em regiões onde instalar instrumentos científicos é caro e difícil.

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Uma das técnicas capazes de fazer essa conversão é chamada Distributed Acoustic Sensing, ou DAS. Pulsos de laser percorrem a fibra e parte da luz retorna ao equipamento. Alterações mínimas nesse sinal denunciam mudanças sofridas pelo cabo, criando milhares de pontos virtuais de medição ao longo de dezenas de quilômetros.

O que chega desses pontos pode ser gigantesco. Em uma experiência realizada no Mar Jônico, 28 quilômetros de fibra foram utilizados para registrar sinais acústicos e físicos submarinos. Um único cabo pode produzir até 86 terabytes de informações por dia.

O volume permite acompanhar uma área extensa, mas também impõe uma tarefa pouco visível: separar automaticamente terremotos, ondas e outros eventos relevantes de ruídos produzidos pelo próprio ambiente oceânico.

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Tsunamis tornam essa capacidade particularmente interessante. Um terremoto no fundo do mar pode ser localizado rapidamente sem que sua magnitude revele, sozinha, qual será o comportamento da água. Hoje, redes de alerta utilizam recursos como os sistemas DART, formados por instrumentos de pressão no fundo oceânico e boias que transmitem informações por satélite. A fibra acrescentaria medições em locais onde já existem rotas de cabos.

Sinais de eventos reais começaram a mostrar o potencial dessa abordagem. Dados registrados nos tsunamis de Torishima, em 2023, e Kamchatka, em 2025, permitiram relacionar deformações detectadas na fibra a variações do nível do mar em determinadas frequências. Em águas profundas, acompanhar a própria onda enquanto ela se desloca pode fornecer informação complementar àquela obtida apenas com a análise do terremoto que a originou.

Nem toda rota submarina, pode simplesmente ser conectada a um equipamento e transformada em rede de emergência. A qualidade da leitura depende da posição do cabo, das condições locais, do método utilizado e do acesso à infraestrutura das empresas responsáveis. Processar dados em velocidade suficiente para um alerta acrescenta uma exigência operacional decisiva.

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Existe ainda uma estratégia que dispensa a adaptação posterior da fibra. Os SMART Cables incorporam sensores de pressão, temperatura e aceleração sísmica aos repetidores presentes nos cabos de telecomunicações. Em vez de interpretar apenas alterações ópticas, esses equipamentos coletam diretamente informações sobre o oceano e o fundo marinho.

Projetos desse tipo podem preencher grandes espaços entre os instrumentos disponíveis atualmente. A cobertura, porém, dependerá de novas instalações, acordos com operadoras, integração aos centros de monitoramento e capacidade de transmitir medições confiáveis em tempo adequado para sistemas de alerta.

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